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Educação Física e Desporto

 

 

Doenças cardiovasculares e exercício físico

As doenças cardiovasculares são doenças que atingem o sistema cardiovascular (alterando o seu funcionamento). Diversos estudos têm demonstrado os efeitos positivos do exercício físico nas doenças cardiovasculares. Assim sendo, a prescrição do exercício físico pode desempenhar um papel de extrema importância em: doentes cardíacos (por indicação médica); indivíduos hospitalizados (que sofreram ataque cardíaco); indivíduos em tratamento de doenças das artérias coronárias; indivíduos após cirurgia de substituição de válvulas cardíacas; etc...

 

A prática de exercícios para este tipo de população já foi colocada em causa - chegando ao ponto de não ser recomendada. Contudo, actualmente sabe-se que depois de avaliada a capacidade funcional, os programas de reabilitação cardiovascular apresentam segurança, reduzindo a incidência de ocorrências. Ou seja, antes de se iniciar um programa de atividade física deve ser feita uma avaliação geral com acompanhamento médico. Como tal, é fundamental a intervenção contínua do professor de educação física/fisioterapeuta com o médico cardiologista - é imprescindível que seja avaliada a capacidade funcional do paciente para que sejam identificados os limites individuais e posteriormente dosear a intensidade dos exercícios.

 

O treino físico associado a modificações no estilo de vida reduz em 20 a 35% a mortalidade cardiovascular (Godoy, 1997)

 

Manifestações de doença cardiovascular aterosclerótica: síndrome agudo das coronárias (a manifestação de doenças das artérias coronárias, como a angina do peito, enfarte do miocárdio ou morte súbita); doença cardiovascular (doença aterosclerótica das artérias do coração, do cérebro e vascularização periférica); doença das artérias coronárias (doença aterosclerótica das artérias do coração); isquemia do miocárdio (deficiência no fluxo de sangue coronário com consequente diminuição do aporte de oxigénio manifestando-se muitas vezes através de angina do peito); enfarte do miocárdio (morte do tecido muscular do coração). 

 

Como principais objetivos dos programas de reabilitação direcionados a indivíduos em regime de internamento, temos: compensar a deterioração fisiológica/psicológica; aumentar a vigilância medica; identificar deficiências cardiovasculares/físicas/cognitivas que possam afetar o prognóstico; permitir que os pacientes possam retomar as suas atividades do dia-a-dia dentro das suas limitações;  preparar o paciente/sistema de apoio em casa/ambiente de transição; facilitar a entrada do paciente num programa de reabilitação cardíaco ambulatório.

 

A reabilitação cardiovascular tem como principais objetivos aprimorar a capacidade funcional, eliminar ou reduzir os sintomas induzidos pela atividade, reduzir a incapacidade e identificar e modificar os fatores de risco no sentido de reduzir a mortalidade e a morbidez cardiovasculares (Lafontaine, 2003).

 

Indicações clínicas para a reabilitação de pacientes internados e em regime ambulatório: clinicamente estável pós-infarto do miocárdio; angina do peito em situação estável; cirurgia de revascularização (bypass); angioplastia coronária transluminal percutânea; insuficiência cardíaca congestiva compensada; cardiomiopatia; transplante de coração ou outro órgão; outras cirurgias cardíacas incluindo cirurgia valvular ou implante de pacemaker; doença arterial periférica; alto risco de doença cardiovascular inelegível para a intervenção cirúrgica; síndrome de morte cardíaca súbita; estádio final de doença renal; em risco de doença das artérias coronárias com diagnóstico de diabetes mellitus, dislipidemia, hipertensão, obesidade ou outras doenças ou condicionantes; outros pacientes que possam vir a beneficiar de um programa de exercício estruturado ou de um programa de formação acordado por toda a equipa de reabilitação baseado no exercício físico.

 

Existem algumas contraindicações para a reabilitação de pacientes internados/regime ambulatório, tais como: angina do peito instável; pressão sistólica em repouso superior a 200 mm hg ou pressão diastólica de repouso superior a 110 mm hg; queda da pressão sanguínea ortostática maior que 20 mm hg com sintomatologia; estenose aórtica crítica; doença sistémica aguda ou febre; arritmias ventriculares descontroladas; taquicardia sinusal descontrolada; insuficiência cardíaca congestiva descompensada; pericardites ou miocardites ativas; embolia recente; tromboflebite; diabetes mellitus descontrolada; condicionantes ortopédicos severos que impeçam o exercício; entre outros...

 

Em programas de atividade física, que visam a saúde e a qualidade de vida, devem estar incluídas: resistência aeróbia, resistência muscular localizada e flexibilidade (Godoy, 1997).

 

Variáveis principais a ter em conta num programa de prescrição de exercício para pacientes com doenças cardíacas: fatores de segurança (incluindo o estado clinico, categoria da estratificação de risco, capacidade física, isquemia/limiar da angina, incapacidade cognitiva/psicológica que possa vir a afetar o cumprimento das normas da pratica do exercício físico); fatores associados (requisitos profissionais e não profissionais, limitações músculo-esqueléticas, nível de atividade pré-mórbido e objetivos de saúde e condição física pessoais).

 

Desta forma, a prescrição de exercício em pacientes com doenças cardíacas diagnosticadas deve respeitar a dosagem de exercício dada pelo FITT (frequência, intensidade, tempo/duração e tipo de exercício).

 

No que se refere à frequência do exercício, esta deve ocupar a maioria dos dias da semana – 4 a 7 dias por semana. Para pacientes com grandes limitações, devem ser prescritas múltiplas sessões por dia de 1 a 10 minutos cada.

 

As atividades de aquecimento e retorno à calma devem ter uma duração compreendida entre 5 a 10 minutos, e devem fazer parte de todas as sessões de exercício físico (estas atividades devem incluir alongamentos estáticos, mobilidade articular e atividades aeróbias de baixa intensidade).

 

O objetivo de duração das atividades aeróbias por sessão deve ser de 20 a 60 minutos (por sessão). Após um episódio de doença cardíaca os pacientes devem começar com sessões de 5 a 10 minutos por sessão iniciando-se com uma duração de 1 a 5 minutos por sessão fazendo-se uma progressão de cerca de 10 a 20% por semana.

 

Relativamente ao tipo de exercício, a componente aeróbia do exercício deve incluir exercícios dinâmicos que envolvam grandes grupos musculares com predomínio para as atividades vocacionadas para o maior dispêndio energético, contribuindo assim para um melhor controlo do peso corporal.

 

As atividades devem envolver todo o corpo necessitando para isso de exercícios direcionados para os membros superiores e inferiores utilizando a vasta gama de equipamento disponível no mercado: ergómetro de braços; combinação de ergómetros que utilizem os membros inferiores/superiores; ergómetro vertical; elíptica; ergómetro de remo; subida de degraus; tapete rolante para caminhada.

Em suma, o exercício físico melhora a saúde cardiovascular de diversas formas: reduz a pressão arterial; previne o crescimento da placa aterosclerótica nas artérias; protege as artérias; melhora a qualidade de vida; diminui o risco de formação de coágulos de sangue; promove a formação de novas artérias coronárias; entre outros... Isto é, os programas de reabilitação cardiovascular baseados em exercícios físicos são uma importante forma de controlar as doenças cardiovasculares.

António Pedro Santos

 


 

Prescrição do exercício físico

Podemos definir a prescrição do exercício como, todo o processo através do qual o estabelecimento de recomendações para um regime de actividade física é concebido de forma sistemática e individualizada (ACSM, 1995).

 

Os princípios da prescrição do exercício baseiam-se nas evidências científicas da fisiologia, psicologia, assim como no conhecimento que se têm dos benefícios para a saúde pela prática do atividade física.

 

A correta prescrição do exercício é caracterizada por um processo de preparação sistemática do organismo - de onde resultam modificações morfológicas/funcionais, que definem estado de condição física do indivíduo.

 

Os princípios gerais da prescrição do exercício são considerados como referência para indivíduos adultos saudáveis, contudo, existem outras populações com problemas de saúde (idosos, deficientes, gravidas, ou atletas com outro tipo de objetivos) que necessitam de uma prescrição individualizada/adequada às características, necessidades, capacidades e limitações.

 

De uma forma geral procura-se: a promoção da saúde através da prevenção dos factores de risco de doenças de causa hipocinética; melhoria da condição física; ação pedagógica, informando sobre os benefícios da atividade física e sobre a forma correta/segura de realizar exercício.

 

Existem elementos básicos comuns a todas as prescrições do exercício: o modo, a intensidade, o volume e a frequência do treino.

 

As componentes da condição física relacionada com a saúde incluem: a componente cardiovascular (trabalhada no exercício aeróbio); força e resistência muscular; flexibilidade; composição corporal.

 

Para prescrever exercício físico, é de extrema importância conhecer o estado de saúde do indivíduo. Os componentes essenciais de uma prescrição sistemática/individualizada incluem: atividades apropriadas, intensidade, duração, frequência e progressão da atividade física. Estes são aplicados para pessoas de todas as idades e capacidades funcionais, independentemente da existência/ausência de fatores de riscos de doenças.

 

Por outro lado, uma sessão de treino de exercício deve contemplar: aquecimento (5 a 10 minutos de atividade cardiovascular e endurance muscular realizados a intensidades baixas a moderadas); flexibilidade (10 minutos de exercícios de alongamento realizados depois do aquecimento ou retorno à calma.); condicionamento físico/exercício relacionado com o desporto praticado (20 a 60 minutos de atividade aeróbia, atividade de resistência, atividade neuromuscular e atividade desportiva); retorno à calma (5 a 10 minutos de exercício cardiovascular/atividade de endurance de baixa intensidade a moderada).

 

A quantidade/volume de exercício está dependente da frequência, intensidade e duração do exercício realizado - um aumento no dispêndio energético melhora a condição física.

 

A frequência com que o exercício é realizado desempenha um papel importante, isto é, exercícios de intensidade moderada realizados no mínimo 5 dias por semana, ou exercícios aeróbios de intensidade vigorosa realizados 3 dias por semana, ou ainda uma combinação semanal de 3 a 5 dias de exercício de intensidade moderada a vigorosa são as formas recomendadas para que a maioria dos adultos alcancem/mantenham os benefícios da pratica do exercício.

 

Para além disto, existe uma relação entre o aumento da intensidade do exercício e os benefícios para a saúde e condição física - a prescrição da intensidade recomendada para a maioria dos adultos pode ser uma combinação da intensidade moderada e intensidade vigorosa.

 

No que se refere à duração, recomenda-se para a maioria dos adultos: exercício com intensidade moderada realizado no mínimo de 30 minutos durante 5 dias da semana até um total de 150 minutos; exercícios aeróbios com intensidade vigorosa no mínimo de 20 a 25 minutos durante 3 dias por semana até um total de 75 minutos.

 

A composição corporal é considerada um componente da aptidão física relacionado com a saúde - devido às relações existentes entre a quantidade/distribuição da gordura corporal com alterações no nível de aptidão física/estado de saúde das pessoas.

 

Algumas técnicas e exames para estimar a composição corporal:

 

Pesagem hidrostática: esta técnica baseia-se no princípio de Arquimedes (quando um corpo está imerso em água, existe uma contra força igual ao peso da água deslocada): Os tecidos ósseos e musculares são mais densos que a água, ao passo que o tecido adiposo é menos denso. Assim sendo, uma pessoa com mais massa corporal livre de gordura para a mesma massa corporal total pesa mais na água, ou seja, esta pessoa tem uma densidade corporal mais elevada e uma percentagem de gordura corporal mais baixa.

 

Pletismografia por ar: a pletismografia é realizada num pletismógrafo (cabine totalmente fechada e com um volume conhecido onde o paciente é colocado durante o exame). No pletismógrafo, o paciente respira através de um bocal e é-lhe solicitada a realização de várias manobras respiratórias, de esforço variável, que provocam alterações de pressão na cabine. Estas variações de pressão permitem calcular as variações dos volumes pulmonares, necessárias para calcular os diversos parâmetros em estudo.

 

Bio impedância: consiste num exame que avalia com alta precisão/rapidez a composição corporal. Através de uma corrente elétrica impercetível, é possível avaliar: massa gorda (% de gordura e gordura corporal em Kg); massa magra (músculos, ossos e vísceras); água corporal total (litros e % de água na massa magra).

 

Métodos antropométricos: índice de massa corporal (utiliza-se a massa corporal em Kg dividida pela estatura em metros elevada ao quadrado); circunferência da cintura (coloca-se a fita métrica em torno do abdómen, paralelamente ao solo, na zona mais estreita da cintura); relação cintura/anca (calcula-se dividindo o valor do perímetro da cintura pelo valor do perímetro da anca); equações de determinação da densidade corporal através da medição de pregas adiposas; determinação do peso ideal.

 

Em suma, a prescrição de exercício físico deve ser vista como um processo pelo qual se recomenda um programa de exercícios de forma sistemática/individualizada, de acordo com as necessidades/preferências de cada indivíduo - com a finalidade de obter os maiores benefícios e consequentemente os menores riscos.

António Pedro Santos

 


 

Prática regular de exercício físico

A pratica regular de exercício físico melhora a nossa saúde e no nosso bem estar (é benéfico para a grande maioria das pessoas). Contudo, existem alguns praticantes/futuros praticantes que podem sofrer problemas de saúde ao praticar o exercício físico.

 

É de extrema importância a realização de uma avaliação médica antes de iniciar um programa regular de exercício físico, assim como, uma posterior e periódica repetição da mesma.

 

Para além disto, é também fundamental a realização de avaliações pré-exercício - estas, abarcam a história clínica do indivíduo.

 

A avaliação médica pré-programa de exercícios é uma forma de assegurar, até determinada medida, de que o futuro praticante de exercício apresenta boas condições de iniciar o programa onde serão exigidos diferentes tipos de esforços físicos acima da homeostasia do mesmo (Moura, 2011).

 

Componentes da história clínica: diagnósticos clínicos (doença cardiovascular, incluindo enfarte do miocárdio, angioplastia, cirurgia cardíaca, doença da artéria coronária, angina e hipertensão; doença pulmonar, incluindo asma, enfisema e bronquite; doença cerebrovascular, incluindo acidente vascular cerebral; diabetes, doença vascular periférica; anemia; flebite ou embolia; cancro; gravidez; osteoporose; distúrbios emocionais; distúrbios do apetite); resultados anteriores no exame físico (sopros, estalidos, outros ruídos cardíacos anormais, outros acontecimentos cardíacos raros, lípidos e lipoproteínas séricas anormais, pressão sanguínea alta, ou edema); histórico dos sintomas (desconforto no tórax, mandíbula, pescoço ou braços; aturdimento, tontura ou desmaio; encurtamento da respiração; batimentos cardíacos rápidos ou palpitações, especialmente se associados a atividade física, ingestão de uma refeição copiosa, contrariedade emocional ou exposição a frio); enfermidade recente, hospitalização ou procedimentos cirúrgicos; problemas ortopédicos (incluindo artrite; intumescimento das articulações; qualquer condição que dificulte a deambulação ou o uso de certas modalidades do teste); uso de medicação, alergia a substâncias; outros hábitos (incluindo cafeína, álcool, tabaco ou uso de drogas); histórico dos exercícios (informação sobre o nível habitual de atividade; tipo de exercício, frequência, duração e intensidade); histórico de trabalho (com ênfase em necessidades físicas atuais ou esperadas, notando exigências de membro superior e inferior); histórico familiar (de doença cardíaca, pulmonar, ou metabólica, acidente vascular cerebral, morte súbita).

 

Além da história clínica, deve ser realizado um exame físico preliminar pelo médico, ou por outro profissional qualificado, a todos os indivíduos, classificados com risco moderado/alto antes de iniciar os testes físicos.

 

Componentes recomendadas para a avaliação do exame físico: peso corporal, índice de massa corporal, em alguns casos, determinação da composição; palpação do pulso apical e ritmo cardíaco; pressão arterial em repouso; auscultação dos pulmões; palpação do ponto do impulso apical cardíaco, ponto de impulso máximo; auscultação do coração; palpação e auscultação das artérias carotídea, abdominal e femoral; avaliação abdominal de sons intestinais, massas, visceromegalias e sensibilidade; palpação e inspeção de edema e presença de pulsos arteriais nas extremidades inferiores; ausência/presença de xantomas do tendão e xantelasma na pele; exame de controlo relacionado com condições ortopédicas ou outras condições clínicas que limitariam os testes de esforço; testes da função neurológica, incluindo reflexos; inspeção da pele.

 

Testes laboratorias a realizar: indivíduos aparentemente saudáveis (baixo risco) ou indivíduos com um risco aumentado mas sem doenças conhecidas (risco moderado) - colesterol total, LDH e triglicérideos; glicemia em jejum; avaliação da tiróide; indivíduos com doença cardiovascular conhecida ou suspeita de doença (alto risco) - testes referidos anteriormente; exames cardiovasculares; angiografia coronária; testes de esforço; ultrassons da carótida e outros estudos periféricos; raio x do tórax (se houver insuficiência cardíaca como suspeita); bateria de análises sanguíneas; indivíduos com doença pulmonar - raio x do tórax; exames da função pulmonar; outros exames pulmonares especializados.

 

Todavia, podem ser necessários outros exames adicionais, como: pressão arterial; colesterol e lipoproteínas; variáveis adicionais do sangue; função pulmonar.

 

Existem indivíduos para os quais os riscos inerentes à realização dos testes podem superar os benefícios potenciais, assim sendo, é imperioso avaliar cuidadosamente a pertinência da informação a retirar e os riscos que se podem correr: contra-indicações absolutas (alteração significativa recente no ECG sugerindo uma isquemia significativa, enfarte do miocárdio recente ou outro episódio cardíaco agudo, angina instável,  Arritmias cardíacas descontroladas, estenose aórtica sintomática severa; insuficiência cardíaca sintomática não controlada, embolia pulmonar aguda ou infarto pulmonar,  miocardite aguda ou pericardite, suspeita ou diagnóstico de aneurisma dissecante, infeção sistémica aguda, acompanhada de febre, dores no corpo e gânglios linfáticos inchados); contra-indicações relativas (estenose coronária esquerda, doença cardíaca valvar estenótica moderada, alterações eletrolíticas;, hipertensão severa, cardiomiopatia hipertrófica e outras formas de obstrução da via de saída, desordens, músculo-esqueléticas, ou reumatóide, bloqueio atrioventricular de alto grau, aneurisma ventricular, doença metabólica descontrolada, doenças infeciosas crónicas, deficiência mental/física).

 

Durante o exercício muscular de características gerais/longa duração, a capacidade de realizar trabalho depende das possibilidades de captação, fixação, transporte e utilização de oxigénio pelo organismo – a determinação do consumo máximo de oxigénio (VO2 max) tem sido utilizada como indicador da capacidade de realizar esforços de longa duração.

 

O VO2 max (potência aeróbia), pode definir-se como a quantidade máxima de oxigénio que pode ser captado, fixado, transportado e utilizado pelo organismo durante um esforço máximo de características gerais.

 

Para determinação laboratorial do VO2 max são utilizadas provas ergométricas máximas ou sub-máximas e a determinação pode ser feita direta (são utilizadas provas máximas e a determinação do VO2 max faz-se directamente através da análise de gases expirados que pode funcionar em sistema aberto/fechado) ou indiretamente (são utilizadas normalmente provas submáximas - baseiam-se no facto de existir uma correlação direta e significativa entre o valor do VO2 e a intensidade da carga.

 

Métodos indiretos de determinação do vo2 max: teste de Astrand; teste de Balke para cicloergómetro; Teste de bruce para Treadmill; Teste Cooper; Teste Luc-Léger; Teste YMCA.

 

Em suma, os exercícios físicos não podem ser prescritos sem que existam dados que permitam interpretar melhor as condições do futuro praticante e até mesmo orientar, ou reestruturar, os objetivos de treino do mesmo.

 

Da mesma forma que um médico precisa de exames clínicos/laboratoriais para definir um diagnóstico e a partir do mesmo iniciar de uma prescrição de medicamentos, o professor de educação física necessita de avaliações posturais, físicas, morfológicas, fisiológicas, etc... - para elaborar um programa de exercícios físicos individualizado que seja eficiente e seguro (para o praticante).

António Pedro Santos

 


 

Actividade Fisica

Podemos definir a atividade física, como o movimento corporal produzido pela contração muscular esquelética que vai produzir um aumento significativo do gasto energético basal. Por outro lado, o exercício, é um tipo de atividade física definida/planeada/estruturada (realizada através de movimentos corporais repetidos).

A aptidão física define-se como um conjunto de atributos/características que as pessoas têm/adquirem relacionados com a habilidade - para o desempenho de atividade física.

Os componentes da aptidão física ligados à saúde são: a resistência cardiovascular; a composição corporal; a força muscular; a resistência muscular e a flexibilidade. Por outro lado, existem componentes da aptidão física relacionados com o desempenho, como: a agilidade; a coordenação; o equilíbrio; a potência; o tempo de reação e a velocidade.

Para que a definição destes conceitos fique mais clara é necessário definir a intensidade do esforço - associada a cada um deles. Assim sendo, a intensidade do esforço é a relação entre frequência cardíaca e volume máximo de oxigénio ou consumo máximo de oxigénio. Para isso, podemos recorrer a alguns métodos, tais como: a percentagem de consumo máximo de oxigénio (VO2 max); o consumo de oxigénio da reserva (VO2R); frequência cardíaca de reserva (FCR); frequência cardíaca máxima (FCmax) ou equivalentes metabólicos de repouso (METs).

A atividade física traz benefícios ao ser humano, como: prevenção de doenças cardiovasculares, hipertensão, osteoporose, diabetes tipo 2, obesidade, cancro do colon,... A actividade física regular está associada a imensos benefícios ao nível da saúde física e mental. Ao longo dos últimos anos, a prática regular de exercício físico tem sido reconhecida como uma alternativa não medicamentosa ao tratamento e prevenção de doenças crónico-degenerativas, promovendo a saúde e a sensação de bem-estar (Warburton, Nicol & Bredin, 2006) com benefícios evidentes tanto na esfera física quanto cognitiva.

É de extrema importância, que os profissionais de educação física, tomem as devidas precauções quando trabalham com pessoas que queiram realizar atividade física - sobretudo se forem programas de exercício de intensidade elevada.

É imperioso que os participantes beneficiem de um rastreio (estratificação do risco) para detetar a presença de sinais/sintomas/fatores de risco de doença cardiovascular, pulmonar e síndroma metabólico, assim como outras condicionantes que requeiram atenção especial para salvaguardar a segurança dos utentes durante a realização dos testes físicos/programa de exercícios.

A preparação dos procedimentos/instrumentos a utilizar no rastreio devem ser validados, para que possam fornecer informação precisa acerca do histórico de doença dos participantes (como: fatores de risco, sinais, sintomas, atividade física atual, hábitos de exercício, medicação utilizada, entre outros...).

Os questionários condicionam o comportamento dos professores para com o indivíduo – podendo, sempre que necessário, fazer adaptações dos exercícios nas aulas.

Este tipo de questionários deve ser preferencialmente interpretado por um staff qualificado para o efeito (ACSM, 1998).

As recomendações apropriadas para os exames médicos, atividade física/exercício, testes físicos e supervisão médica são tomadas com base no processo de estratificação do risco classificando os participantes numa das três categorias: baixo, moderado ou alto. Assim sendo, temos: risco baixo (não apresentam sinais/sintomas e não lhes foi diagnosticada qualquer doença cardiovascular, pulmonar e/ou metabólica e não tem mais do que um fator de risco de doença cardiovascular - sem necessidade de exames médicos de diagnóstico); risco moderado (não apresentam sinais/sintomas e não lhes foi diagnosticada qualquer doença cardiovascular, pulmonar e/ou metabólica mas que apresentam dois ou mais fatores de risco de doença cardiovascular - exames médicos/testes físicos sempre que queiram participar em exercícios de intensidade vigorosa; risco alto (têm um ou mais sinais/sintomas de doença cardiovascular, pulmonar e/ou metabólica diagnosticada - exames médicos devem ser feitos antes de iniciar a atividade física seja qual for a intensidade).

Este processo de estratificação do risco baseia-se na presença/ausência de uma doença cardiovascular, pulmonar e/ou metabólica conhecida; na presença ou ausência de sinais/sintomas sugestivos de uma doença cardiovascular, pulmonar e/ou metabólica; na presença/ausência de fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Para que esta categorização seja bem feita, é de extrema importância que os profissionais do exercício/saúde tenham presentes: os critérios de inclusão param as doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas conhecidas; a descrição dos sinais/sintomas dessas doenças; os critérios específicos do esquema que determinam os fatores de risco de doença cardiovascular; o critério de cada categoria de risco.

Depois de estabelecida a categoria relativa aos fatores de risco (baixo, medio ou alto) devem ser tidas em conta as seguintes recomendações: a necessidade de exames médicos e autorizações/contraindicações antes de iniciar atividade física ou um programa de exercício físico ou antes de fazer alterações significativas no seu programa no que diz respeito a frequência, intensidade, volume e tipo de exercício (FITT); a necessidade de realizar testes físicos antes de iniciar atividade física ou um programa de exercício físico ou antes de fazer alterações significativas no seu programa no que diz respeito a frequência, intensidade, volume e tipo de exercício (FITT); a necessidade de supervisão médica na realização de testes máximos ou submáximos. 

A Organização Mundial de Saúde reconhece a grande importância da actividade física para a saúde física, mental e social, capacidade funcional e bem-estar de indivíduos e comunidades. Aponta para a necessidade de políticas e programas que levem em conta as necessidades/possibilidades das diferentes populações e sociedades, com o objectivo de integrar a actividade física no dia-a-dia de todas as faixas de idades, incluindo mulheres, idosos, trabalhadores e portadores de deficiências, em todos os sectores sociais, especialmente na escola, no local de trabalho e nas comunidades.

António Pedro Santos


 

A fadiga do hábito e o hábito da fadiga

 

Será que há diferença na fadiga entre uma forma de jogar mais elaborada e complexan e uma forma de jogar mais simples?

 

 

Para se jogar futsal ou futebol é imperiosa uma capacidade e habilidade de precisão decisória. As tomadas de decisão devem ser feitas mirando determinados objetivos e sempre balizadas em ideias pretendidas para a equipe, e que abordem diversos raciocínios, conjecturas, conceitos e comparações.

 

E quando estamos cansados, como decidimos? Temos problemas para tomar decisões? Conseguimos estar concentrados no jogar que pretendemos? Ou tendemos pelos "caminhos mais fáceis"?

 

Em conversa recente entre amigos, divagamos nesta temática pertinente, contudo descurada e desentendida pelos treinadores de todos os níveis competitivos aqui no Brasil. Claro, fora daqui, sim, é outra história.

 

Estava nosso amigo treinador a nos narrar um caso que aconteceu dias passados com suas equipes de futsal feminino, nas categorias sub-14 e sub-16. Com um trabalho precoce (menos de um mês), seus objetivos passavam por implementar globalmente uma cultura de jogo que objetivava valorizar a bola e buscar um entendimento coletivo do jogo. Segundo ele, a quantidade de treinos semanais para a categoria era de dois treinos por semana.

 

 

Mesmo sabendo das dificuldades contextuais e da modificação brusca em termos de treino e jogo, ele aceitou participar de uma competição regional. Em função de problemas, duas jogadoras foram utilizadas nos 10 jogos que realizou (competição concentrada com um dia de duração). A categoria sub-14 fora realizada pela manhã e a sub-16 pela tarde.

 

Segundo ainda nosso amigo, estando pela manhã as jogadoras obviamente descansadas, a equipe sub-14 jogou seus cinco jogos com uma dinâmica fluente, conseguindo colocar em prática o jogar que ele havia treinado (posse de bola sempre e uma intencionalidade coletiva).

 

Durante a tarde ele teve que utilizar duas jogadoras do sub-14 na categoria sub-16. Claramente que a equipe não apresentou a mesma dinâmica, já que as duas jogadoras (fadigadas) não conseguiram decidir de forma rápida e inteligente (diferentemente de quando qualquer pessoa está descansada), especialmente quando com a posse da bola.

 

Faziam escolhas mais simples que por vezes eram de se livrar da bola rapidamente ou tentar o jogo individual (sem êxito), sem estarem atentas à dinâmica coletiva pretendida.

 

Contudo, o interessante da conversa que tivemos foi a informação de uma outra equipe que teve o mesmo problema (poucas jogadoras), jogando os 10 jogos também, e nos cinco jogos da tarde esteve com o "rendimento" parecido com o da manhã, conseguindo assim chegar à final da competição. Segundo nosso camarada, a forma de jogar dessa equipe era simples e apenas exigia o domínio da bola longa e o 1 x 1.
 

O fato nos fez pensar se: há diferença na fadiga entre uma forma de jogar mais elaborada e complexa, com uma forma de jogar mais simples? Até mesmo nos fez pensar sobre o pouco tempo de treino que nosso amigo teve, não estando habituadas à forma de jogar que ele queria. Então, o que pode ter acontecido com a equipe do nosso amigo? Será que por não estarem habituadas completamente às ideias de jogo (e fadigadas por este motivo), suas jogadoras optaram pelas simples decisões, fugindo das ações complexas que desempenharam nos jogos pela manhã? Existe uma grande probabilidade de a resposta ser "sim".

 

Diferentemente de decisões triviais, decisões complexas envolvem um conjunto maior de dimensões interdependentes. Quando estas não estão habituadas (automatizadas), se demanda muito esforço, o que acaba conduzindo a um estado de fadiga. Justificando quando falamos de habituação, diversos estudos concluíram que em tarefas demasiadamente complexas, quando na tentativa de automatizá-las, maior é a "ativação cerebral", especificamente nas áreas do córtex parietal, córtex pré-motor e o cerebelo.

 

Quando acontece a automatização, a atividade em áreas do cerebelo aumenta e a atividade cortical diminui. As conexões subcorticais com os gânglios da base[1] ( e o tálamo[2]) são as que controlam a execução, de maneira que esta já não necessita de um controle consciente (Correa, 2007).

 

Quando tratamos de mencionar o termo fadiga, temos que ter um olhar global sobre a mesma, sendo que ela irá influenciar diretamente sobre o aprendizado de novos hábitos.

 

 

 

A fadiga é um conjunto de manifestações produzidas por trabalho ou exercício prolongado, que tem como consequência a diminuição ou dano na capacidade funcional de manter ou continuar o rendimento (o jogar coletivo) esperado com a concentração e intensidade elevadas. No nível bioquímico, podemos considerar a fadiga periférica sendo uma perda da força e potência que ocorre independe da ação neuronal. Já a fadiga central é uma redução progressiva do direcionamento voluntário do potencial de ação para os neurônios motores durante o jogo.

 

Desta forma, estivemos pensando que, no momento que as jogadoras adquirirem novos hábitos (memória implícita), haverá uma economia de energia e um menor desgaste e antecipação da resposta, reduzindo consideravelmente a fadiga (central e periférica, com seus níveis de lactato respectivamente[3]).

 

Agora, quando as jogadoras estarão habituadas totalmente? Não sabemos! Mas por qual razão não sabemos? Pelo fato complexo do hábito ser modelado constantemente. Mas sabemos que uma questão é certa: o que determinará novos hábitos será sempre o processo de treino. Este deverá sempre promover hábitos "mecânicos-abertos" e hábitos "criativo-contextuais", que acabam por diminuir a temida fadiga, ou seja, se "habituando para a fadiga", e ao mesmo tempo "deixando espaço" para novas possibilidades.

 

Para ilustrar o que o nosso amigo relatou, mencionamos aqui o estudo de Silva et al., (2000) onde os autores relataram que "um futebolista lateral está acostumado a atacar o adversário (será que está mesmo?) em constante velocidade e voltando rapidamente para a zona de defesa (em que contexto seria o rapidamente?), portanto, solicitando muito a via lática". No mesmo estudo ainda: "Esse jogador fez um primeiro tempo com grande desenvoltura (em que sentido?), mas, na segunda etapa, andou em campo" (andou em campo porque está habituado a andar nos treinamento bem possivelmente, ou seja, treina errado, ou, treina com ineficácia).

 

 

O estudo acima condiz plenamente com a complexidade do jogar futebol e está relacionado perfeitamente com o relato do nosso amigo. Fato é: existem níveis de desempenho individuais e coletivos. Quando se olha apenas para o aspecto individual isolado, como no caso do estudo supracitado, comete-se um erro colossal que muitos pesquisadores entendidos da fisiologia (Balikian, Lourenção, Ribeiro, Festuccia, & Neiva, 2002) o fazem, que é "preparar fisicamente" os jogadores sem a bola, ou de maneira integrada (onde a bola está em todos os momentos, porém ineficaz também) como muitos gostam, sem olhar as interações posicionais e sem considerar o aspecto complexo do jogar futebol.

 

Por fim, nosso amigo, quando ler esse artigo (seguramente), deve ficar mais seguro dos "porquês" da falta de funcionalidade fluída de sua equipe sub-16 nessa competição, e seguramente na próxima competição, suas decisões-ações complexas terão uma regularidade maior e um desgaste menor, pois o treino condicionará isso. Como? O treino diminui a fadiga ao invés de cansar? Que loucura é essa? Nosso amigo conhece bem essa loucura. Agora, como fazer os "treinadores delinquentes obsessivos pelo suor" compreenderem essa questão? E eles sabem o que é treino, hábito, fadiga e futebol?

 

Bom, temos certeza de que nosso amigo prefere um jogar complexo-criativo que demore "um período" para ter fluidez a um jogar "comunzinho" que demore dois treinos para os jogadores estarem "habituados". Quase todos estão no jogar "comunzinho", os videntes-metodológicos já anteciparam há tempo!

[1] Determinada área do cérebro responsável de forma geral pelo controle motor.
[2] O tálamo atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral.
[3] Ide & Secher (2000) mostraram substanciais evidências de que o cérebro também consome lactato, particularmente durante exercícios intensos, continuando a consumi-lo durante um período de 30 minutos de recuperação.

 

Pedimos para que dúvidas, críticas, sugestões ou demais comentários que achem pertinente sejam feitos logo abaixo. O retorno para nós é muito importante. Buscaremos sempre melhorias!

Referências

 

Balikian, P., Lourenção, A., Ribeiro, L. F. P., Festuccia, W. T. L., & Neiva, C. M. (2002). Consumo máximo de oxigênio e limiar anaeróbio de jogadores de futebol: comparação entre as diferentes posições. Rev Bras Med Esporte, 8(2), 32-36.

 

Correa, M. (2007). Neuroanatomía funcional de los aprendizajes implícitos: asociativos, motores y de hábito. Rev Neurol, 44(4), 234-242.

 

Ide, K., & Secher, N. H. (2000). Cerebral blood flow and metabolism during exercise: implications for fatigue. Progress in Neurobiology, 61, 397-414.

 

Silva, P. R. S., Inarra, L. A., Vidal, J. R. R., Oberg, A., Fonseca Júnior, A., Roxo, C., Machado, G. S., et al. (2000). Níveis de lactato sanguíneo, em futebolistas profissionais, verificados após o primeiro e o segundo tempos em partidas de futebol. Acta Fisiátrica, 7(2), 68-74.

Dênis de Lima Greboggy e Rodrigo Vicenzi Casarin


Pular corda: uma possibilidade biopsicossocial na educação fisica escolar

  1. 1.      INTRODUÇÃO

Pensar em algum tipo de intervenção na prática pedagógica da Educação Física Escolar é imaginar que um conhecimento pronto, acabado, geralmente gerado na academia, e fazer com que os professores utilizem em seu dia- dia.

Da mesma forma, pensar em pesquisa na escola significa, em ir ao local de trabalho dos professores e aplicar entrevistas, questionários, filmar ou fazer algum experimento e, depois, esquecer o que foi feito, sem ao menos retornar os resultados da pesquisa aos mesmos.

Por outro lado, é impossível pensar no aumento do conhecimento sem refletir em se produzir pesquisas. A qualidade do ensino e da formação do professor depende não de forma exclusiva, mas da melhoria da qualidade das pesquisas educacionais. Também não faz sentido pesquisar apenas em laboratórios, é necessário o conhecimento da realidade para que se possa dar conta da complexidade do contexto escolar. Portanto, faz-se necessário uma nova forma de se ver o universo tanto educacional, quanto da pesquisa em educação.

No mundo atual contemporâneo e globalizado tem surgido várias propostas que buscam a compreensão do processo de ensino, objetivando sempre melhorar sua qualidade. O presente trabalho busca resgatar a cultural infantil dentro da escola. Razão pela qual, discordo sobre o jogo, a pluralidade cultural do jogo, a importância dos jogos tradicionais, o desenvolvimento das habilidades motoras e das qualidades físicas no jogo de pular corda, bem como a função das ladainhas dentro do contexto escolar.

  1. 2.      JUSTIFICATIVA

Tendo em vista que a educação física se faz necessária na realidade do mundo contemporâneo, onde as características principais são a globalização e a competitividade no mercado de trabalho, torna-se de fundamental importância uma formação que se articule com a realidade social de nosso estado onde o ponto de partida deve ser a pesquisa. O ato de investigar deve estar presente em nossa formação. Entretanto, o profissional de Educação Física deve ter várias competências ao término de sua formação acadêmica tais como: Planejar, Aplicar e Avaliar suas atividades profissionais. Evidentemente que para tanto deve preparar-se buscando conhecimentos que o fortaleçam enquanto profissional. O presente estudo visa observar o desenvolvimento da criança dentro do ambiente escolar a partir das brincadeiras e dos jogos de pular cordas, e, através desses jogos são desenvolvidas as habilidades motoras nas quais são essas habilidades, e ainda durante o jogo de pular cordas ajuda na contribuição para o desenvolvimento da organização espaço-temporal da criança. Assim o que fica em evidencia nos dias atuais é que em nossa sociedade existe um amplo esquecimento e abandono dessas atividades recreativas, assim levando que vários fatores podem ser apontados para esse acontecimento.

Segundo CATUNDA-2005, (…) do processo de desvalorização das brincadeiras de rua. Os fatores que influenciam esse processo são vários, como: diminuição do tempo de brincar, sumiço do espaço público onde as crianças possam reunir os grupos, a violência dos centros urbanos, a TV, o brinquedo eletrônico, computador, e entre outros, o fato de os profissionais de educação física, na escola, ao valorizarem excessivamente o conteúdo esporte, esqueceram a cultura do brincar, que também é conteúdo rico a ser trabalhado nas aulas.

Buscando refletir a partir da realidade de nossa sociedade, acredito que a escola é o ambiente ideal para o desenvolvimento destas atividades, favorecendo o resgate cultural infantil e tornando as atividades recreativas presentes no atual contexto escolar.

Acredito dessa maneira que o pular corda, dessa maneira, assim envolvendo a parte biopsicossocial das crianças possam ter um resultado em que muitas dessas crianças vão ao fazer essa atividade pode-se melhorar em seu rendimento físico e social, trazendo vantagens, como o resgate dos jogos tradicionais, pois uma brincadeira pode influenciar outra, assim como também as ladainhas no pular corda, dessa forma através de um bom trabalho pode-se melhorar a existência de vida e com isso trazendo uma melhor forma física, mental e social.

  1. 3.      OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

Resgatar a cultura infantil nas aulas de educação física na Escola através de atividades lúdicas utilizando o jogo de pular corda, embalado pelas ladainhas.

3.2 Objetivos Específicos

- Resgatar os jogos tradicionais dentro da escola.

- Melhorar a parte biopsicossocial dos alunos dentro da escola.

- Através das brincadeiras tradicionais irá haver um resgate cultural.

  1. 4.      REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Pular corda: uma possibilidade biopsicossocial na educação física escolar

Jogos e brincadeiras fazem parte da vida de muitas crianças, assim YANKA OLUSOGA (2011) diz que todas as crianças pequenas têm uma necessidade biológica de brincar e através das brincadeiras elas se desenvolvem cognitivamente, física e socialmente.

(…) O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mais absolutamente obrigatórias, dotados de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de um ser diferente da vida quotidiana (HUIZINGA-2005).

O que se observa é que temos grande dificuldade em diferenciar brinquedo, brincadeira e jogo na nossa língua, entretanto, devemos ter consciência do que representa o entendimento de cada uma dessas palavras para a Educação Física. A partir do jogo, também podemos observar se ele é regrado, se é prazeroso, se quem o pratica está fora da realidade, sem obrigação. Desse modo o jogo tem essa idéia de limites, libertação e invenção. Contudo, ainda tem um ponto a ser comentado que é: o jogo torna fácil o que era difícil, ou seja, com ele a criança aprende e tem a possibilidade de superar seus limites.

“O jogo é uma categoria maior, uma metáfora da vida, uma simulação lúdica da realidade, que se manifesta que se concretizam quando as pessoas fazem esporte, quando lutam, quando fazem ginástica, ou quando as crianças brincam”, (FREIRE & SCAGLIA,-2003,pg. 93).

4.2  Brincar, aprendizagem para a vida.

Através dos jogos e de brincadeiras, pode-se afirmar que a cada passo que se dá, é uma passo que não pode ser mais retirado, assim com as atividades realizadas existe um melhoramento de habilidades e vertentes psicomotoras e sociais de cada criança, ou seja, com o tempo que essa criança aprende uma habilidade pode-se ver também que leva para sua vida, assim quando aperfeiçoa o pular corda melhora em outras atividades para sua vida.

Segundo PAM JARVIS E JANE GEORGE (2011), descobriu que as crianças que fizeram lanços fortes de amizades nos primeiros anos eram emocionalmente mais resistentes ao longo da transição para o Ensino Fundamental, e se acostumavam mais confortavelmente com as exigências acadêmicas do ensino formal.

Assim, as crianças para terem uma melhor aprendizagem e socialização muitas das vezes mesmo com a deficiência de segurança muitas delas vão parar na rua para realizar brincadeiras, mas de qualquer forma o pular corda mesmo com baixa influencia nas atividades infantil acaba entrando no meio, ocasionando maior risco a essas crianças, mesmo assim pode-se notar que elas possuem um maior beneficio psicossocial entre elas, porém nem todas as crianças podem ter absorver isso, mas no fim a brincadeira acaba ajudando depois em muitas outras atividades físicas.

JARVIS (2011, pq. 24), crianças da Educação Infantil que são populares entre seus colegas lidam habilmente com a sociedade playground, reconhecendo como petentemente propostas de outras crianças que buscam brincadeiras duras e brutas”.

Os jogos e brincadeiras variam de região entre região, e mesmo assim mantém sua essência, em uma forma e poesia. Assim uma das principais variações dessas brincadeiras é a letra das canções e o próprio nome dos jogos, mas podemos observar em nosso país que é uma grande riqueza desses jogos e brincadeiras, assim que uma vez que temos descendência portuguesa, negra e indígena. Julgando aos profissionais de Educação Física, o jogo faz parte de seu conteúdo programático principalmente como estratégia e neste sentido cultural colabora para que seja passado de geração em geração contribuindo para a cultura da criança, assim o pular corda em crianças entra em uma parte geneticamente que é necessário ter uma forma física que proporcione essa atividade.

  1. 5.      O JOGO TRADICIONAL INFANTIL

Está ligado ao folclore, incorpora a mentalidade popular, expressando-se, sobretudo, pela oralidade. Está ligado à cultura popular e manifesta a produção espiritual de um povo em certo período histórico. Essa cultura não oficial, desenvolvida especialmente de modo oral. Esta sempre se renovando, incorporando criações anônimas de gerações para gerações. Não se conhece a origem desses jogos. Seus criadores são anônimos sabe-se, apenas, que são provenientes de práticas abandonadas por adultos. A tradicional idade dos jogos assenta-se no fato de que povos distintos e antigos como os da Grécia do oriente brincavam de amarelinha, empinar papagaios, jogar pedrinhas e hoje ainda se vêem crianças realizando quase da mesma maneira.

Uma das características principais dos jogos tradicionais é preservar em sua estrutura inicial, outros se modificam e recebem novos conteúdos. Sua função, enquanto manifestação espontânea da cultura popular é perpetuar a cultura infantil e desenvolver formas de convivência social.

O jogo tradicional infantil é um tipo de jogo livre, espontâneo, no qual a criança brinca pelo prazer de fazê-lo. Por pertencer a categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança, o jogo tradicional infantil tem um fim em si mesmo e preenche a necessidade de jogar da criança. Das brincadeiras acompanham a dinâmica da vida social permitindo alterações e criações de novos jogos (KISHIMOTO, 2003).

A escola por excelência é um ambiente de cultura e os jogos tradicionais não são uma atividade do passado ou de futuro, mas de presente, por este motivo é primordial para educação física escolar.

Segundo IVIC & MARJANOVIC EM KISHIMOTO 2003, apontam pelo menos cinco hipóteses que justificam o emprego dos jogos tradicionais na educação:

  1. os jogos tradicionais, por estarem no centro da pedagogia do jogo, devem ser preservadas na educação contemporânea;
  2. o brincar, como componente da cultura de pares, como prática social de crianças de várias idades, não pode ser deslocado para um tipo de escolarização em que predomine apenas relações criança-adulto;
  3. jogos tradicionais podem representar um meio de renovação da prática pedagógica nas instituições infantis, bem como nas ruas, férias, etc.;
  4. os jogos tradicionais são apropriados para preservar a identidade cultural da criança de um determinado pais ou imigrantes e;
  5. ao possibilitar um grande volumes de contatos físicos e sociais, os jogos tradicionais infantis compensam a deficiência de crianças residentes em centros urbanos, que oferecem poucas alternativas para tais contactos.

Historicamente as brincadeiras infantis têm íntima relação com a evolução das novas condições de vida. Hoje a industrialização e a urbanização alteram o cenário das grandes cidades, acabando com os grandes espaços públicos ideais para manifestação da expressão lúdica infantil, levando ao esquecimento grande parte da bagagem cultural infantil.

  1. 6.      AS HABILIDADES MOTORAS BÁSICAS NECESSÁRIAS PARA PULAR CORDA.

No jogo tradicional de pular corda esses movimentos locomotores fundamentais envolvem a projeção do corpo no espaço. São eles: caminhar, correr e saltar.

A caminhada tem sido muitas das vezes definida como um processo de perder e de recuperar o equilíbrio continuamente, enquanto nos movimentamos para frente, em posição ereta. O padrão de caminhada tem sido extensamente estudado em bebes, crianças e adultos (GALLAHUE & OZMUN 2003).

A corrida é uma forma exagerada de caminhada. Difere desta porque existe uma breve fase de elevação em cada passada, na qual o corpo fica fora de contacto com a superfície de apoio (GALLAHUE & OZMUN 2003).

Elevar-se do chão imprimindo ao corpo um impulso mais ou menos rápido; saltar é um movimento exclusivo que requer o desempenho coordenado de todas as partes do corpo. Trata-se de um padrão motor complexo (…) (GALLAHUE & OZMUN 2003).

No trabalho com crianças, estas habilidades motoras básicas são realizadas espontaneamente por cada criança, são movimentos que podemos potencializar no ensino fundamental e mais, trazer para as aulas atividades que busquem desenvolver o potencial já existente em cada um de nossos alunos.

6.1 Valências físicas básicas do pular cordas

Devemos ter atenção especial ao que se refere às qualidades físicas básicas, pois elas são extremamente importantes no desenvolvimento infantil, e algumas podem ser desenvolvidas a partir do jogo de pular corda embalados pelas ladainhas.

Segundo TUBINO & MOREIRA 2003:

  • A agilidade é a qualidade física que permite mudar a posição e/ou a trajetória do corpo do menor tempo possível;
  • A força é a qualidade física que permite um músculo ou um grupo de músculos produzir uma tensão e se opor a uma resistência;
  • A velocidade é a qualidade física particular dos músculos e das coordenações neuromusculares que permite a execução de uma sucessão rápida de gestos, em seu encadeamento, constituem uma só e mesma ação, de uma intensidade máxima e de uma duração breve ou muito breve;
  • O equilíbrio é a qualidade física conseguida por uma combinação de ações musculares com um propósito de assumir e sustentar controladamente a posição do corpo;
  • A coordenação é a qualidade física que permite controlar a execução de movimentos, por meio de uma integração progressiva de cooperações intra e inter musculares, favorecendo uma ação com uma máxima de eficiência e economia energética;
  • A resistência é a qualidade física que permite um continuado esforço durante o maior tempo possível;
  • A flexibilidade é a qualidade física que condiciona a capacidade funcional das articulações a movimentarem-se dentro dos limites ideais de determinadas ações;
  • O é a qualidade física explicada por um encadeamento de tempo, um encadeamento dinâmico-energético, um sincronismo de tensão e de repouso, em fim, uma variação regular com repetições periódicas.

As valências físicas durante o pular corda envolve a coordenação motora de toda a criança.

7. LADAINHAS

Ladainhas para saltar cordas são melodias curtas que marcam o da batida das cordas e definem o número de saltos que cada criança tem que dar. Ajuda desenvolver o rítmo, quando as ladainhas são feitas em cordas coletivas existe o ajuste do individual ao do grupo, ou seja, aquela que salta com daquelas que giram à corda, desenvolve as habilidades motoras de saltar e correr, e ainda as qualidades físicas de agilidade e coordenação motora.

Ladainhas para saltar cordas na aula de Educação Física são precisas para o desenvolvimento da orientação tempo e espaço veja, por exemplo: quando a criança vai entrar na corda e faz aquele movimento de espera da batida da corda, ela está esperando o melhor tempo para sua entrada na corda e também está calculando a distancia que ela tem que percorrer para que ela possa fazer o movimento com desenvoltura e para sair da corda esses movimentos também terão que ser obedecidos, também vale dizer que todo esse movimento envolve cooperação entre as que saltam e as que giram a corda.

Segundo LE BOULCH 1987, Os exercícios de coordenação global situam-se ao nível do vivido e da experiência imediata; o mesmo ocorre com os jogos. O espaço é, neste nível, objeto de uma percepção direta em função da ação e não de uma representação mental.

  • A apreciação das direções, a orientação no espaço.

- A relação entre o corpo e os objetos, entre o corpo e as pessoas, colocam o problema de sua orientação recíproca;

  • A apreciação das distâncias – a visão.

- A possibilidade de localizar um objeto no espaço em função de nossa ação implica, além da apreciação de sua direção, a avaliação de sua distância;

  • Localização de um objeto em movimento.

Quando o objeto se desloca, as relações espaço-tempo resultantes implicam:

- A apreciação da trajetória descrita pelo móvel no espaço;

- A apreciação de sua velocidade e, eventualmente, a previsão de sua posição nos movimentos subseqüentes.

O professor amplia, ou seja, pede para a criança criar em cima, acrescenta coisas novas e sistematiza na medida em que ele tem o compromisso com a complexidade, ele vai buscando tarefas mais complicadas em cima daquelas que as crianças já apresentam com vistas ao desenvolvimento do domínio motor, domínio afetivo e domínio cognitivo.

Quero lembrar que a educação física não é só desenvolvimento motor, implica no desenvolvimento também do domínio sócio-afetivo, da comunicação que nada mais é do que o diálogo e o diálogo é a representação da comunicação. Em ladainhas em que ocorre o diálogo, ou seja, a verbalização da brincadeira a comunicação está presente.

O professor também tem que buscar a competência, então na medida do possível ele vai procurando complicar a brincadeira incluindo movimentos novos como é o caso daquela ladainha “senhoras e senhores…”(vide anexo).

Na verdade a escola deve ser uma escola alegre, a escola que sonhamos é uma escola na qual a criança aprende se divertindo.

As ladainhas para saltar cordas têm essas características lúdicas, mas, elas não são uma coisa nova, são passadas de geração para geração, de pais para filhos e de crianças para crianças. Alem disso, a um exercício da cooperação à medida que as crianças se ajudam mutuamente na brincadeira, o dialogo acontece e são verdadeiras comunicações íntimas, a música auxilia na realização do salto e tudo isso é movimento, o movimento é a essência da educação física. É importante salientar ainda a maneira em que o professor propõe a brincadeira, estimulando a participação das crianças e aproveitando sugestões delas.

Para melhor conhecer a criança é preciso aprender à vê-la. Observá-la enquanto brinca: o brilho dos olhos, a mudança de expressão do rosto, a movimentação do corpo. Estar atento à maneira como desenha seu espaço, aprender a ler à maneira como escreve a sua história. (Moreira em Oliveira-1997).

O professor na prática deve desenvolver esse raciocínio, tornando a aula bastante ativa, bastante interessante e ajudando a criança a apreender. A principal atividade da criança é brincar. Essa necessidade da criança de se movimentar não se acaba ao entrar na educação básica.

A escola e especialmente a educação física devem estar preocupadas em abrandar essa passagem brusca da educação informal para educação formal, devem oferecer oportunidades em situações na qual a criança possa exercitar o conhecimento que ela já tem, ou seja, os jogos e as brincadeiras que representam parte do que nós aqui chamamos de bagagem cultural infantil. Cabe ao professor, buscar neste universo infantil da criança, situações em que possa ser aproveitada sua realidade infantil e assim ampliar e sistematizar suas atividades, buscando sua integração na escola, como também sua socialização e acredito que é esse o fim da educação física de hoje, aquela educação física na qual a criança aprende brincando, se divertindo, construindo conceitos e descobrindo o mundo.

Este relacionamento com o mundo esta pautado principalmente em dois grandes fatores, diretamente ligado à sensibilidade, à percepção, à integração entre as funções biológicas, sociais e intelectuais do individuo, Assim as ladainhas, mas conhecidas no Brasil são:

  1. Batalhão… Lhão-Lhão quem  não entra é um bobão! Abacaxi… Xi-Xi, quem não sai é um Saci!1.
  2. Salada saladinha bem temperadinha com sal, salsa e cebolinha… 1, 2 e 3! (foguinho).2.
  3. 3. Salada saladinha, feijão com pimenta na hora da janta não tem quem aquenta 1,2,3… (foguinho);
  4. Com quantos anos você quer casar?… Com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10;4.
  5. 5. Qual a letra do seu namorando? a, b, c, d, e… x, y, z!
  6. 6. Um homem bateu em minha porta e eu abri… Senhoras e senhores ponham a mão no chão, Senhoras e senhores pulem com um pé só, Senhoras e senhores dêem uma rodadinha… E vá pro olho da rua!
  7. Com quem pretende casar com loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, patrão, soldado, ladrão, 1, 2, 3.7.
  8. 8. Com quem pretende casar com loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, patrão, soldado, ladrão, estrelinha1, estrelinha 2, estrelinha 3.
  9. 9. Ai, ai… Que tem? Saudade! De quem? Do cravo, da rosa, da vovó cheirosa, da Ingrid gordinha do meu coração.
  10. 10. Tom, tom… Quem é? Padeiro! Me dá todo seu dinheiro.
  11. 11. Subi quebrei o galho, Me segure, “fulana” Senão eu caio. Numa roseira.

8. METODOLOGIA

Os métodos utilizados para a realização deste projeto foi de leituras de livros e artigos de revistas, textos e aulas ministradas durante o período da minha graduação, assim buscando identificar, descrever e analisar a utilização dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento psicomotora na educação física escolar, a fundamentação teórica estar baseada em alguns autores,  experiências , pesquisas e estudos sobre a brincadeiras e jogos tradicionais. Contribuindo para visitas técnicas a onde se aplicam jogos e brincadeiras na vivência escolar para ver aplicabilidade pedagógica. E no desenvolvimento todo trabalho de pesquisa pude estar entrando em contato com o lado clínico da psicopedagogia e isso ajudou- me muito, pois também pude estar vendo o grau de importância que os jogos e brincadeiras têm no tanto em crianças ditas “normais” quanto em crianças com limitações especiais, o quanto o jogo e as brincadeiras podem ajudar no todos desenvolvimentos afetivos, cognitivos, motor e psicológico de uma criança.

9. CONCLUSÃO

O trabalho exposto busca a reinserção do jogo tradicional de pular corda na Educação Básica, a qual tem o seu brilho minimizado em face do desenvolvimento do mundo contemporâneo que se destaca tecnologicamente a cada dia, maximizando a tecnologia e a comunicação, ofuscando dessa maneira a cultura infantil. Vislumbra elucidar que todo o desenvolvimento infantil podem ser observados e aprimorados de forma saudável através das características da segunda natureza, isto é, a cultura humana, uma vez que o jogo tradicional de pular corda é extremamente: flexível, plástico, motor e mutável a cada instante da brincadeira.

A idéia geral do “projeto” foi tão somente resgatar a cultura infantil dentro das aulas de Educação Física no ensino das crianças. Onde primei por um dos ícones da ludicidade “o pular corda”. Nele eu descobri algumas sugestões gerais que podem tornar possível à presença do jogo citado no planejamento das aulas de Educação Física.

O projeto mostra a nostalgia do jogo de pular corda, assim embalado pelas ladainhas, que do meu ponto de vista é saudoso e saudável. Entretanto, é evidente que com a globalização temos que aprender a conviver com as mudanças, pois não será possível acompanhar o jogo das crianças do futuro se não enxergarmos a evolução de um modo amplo dentro de sua generalidade.

Nós professores temos a missão de participar do desenvolvimento dos nossos alunos, e não podemos deixar de usar um elo para com eles nos ligarmos, assim aumentando as atividades de pular corda e ladainhas para valorizamos mais a cultura infantil dentro das aulas de Educação Física, assim o pular cordas através de um âmbito biopsicossocial, entra na sociedade, ocasionando cidadões, além de fortalecer a fisiologia da criança, assim como também melhorar suas habilidades neurológicas dessas dentro da escola, ajudando de tal maneira ao desenvolvimento social, para que possa viver na sociedade.

10. REFERENCIAS

BROCK, DODDS, JARVIS, OLUSOGA. Brincar, Aprendizagem Para Vida, Avril Brock, Sylvia Dodds, Pam Jarvis e Yinka Olusoga, Porto Alegre (RS) – Penso, 2011.

CATUNDA, Ricardo  Brincar, Criar e Vivenciar na Escola / Ricardo Catunda – Rio de Janeiro: Sprint 2005.

DARIDO & RANGEL  Educação Física na Escola: Implicação para Prática Pedagógica / Suraya Cristina Darido & Irene Conceição Andrade Rangel.  Rio de Janeiro  Guanabara Koogan, 2005.

FREIRE & SCAGLIA: Educação como prática do corporal / João Batista Freire, Alcides José Scaglia. – São Paulo: Scipione, 2003.

GONZÁLEZ & FENSTERSEIFER Dicionário crítico de Educação Física / Jaime Gonzáles & Paulo Evaldo Fensterseifer. – Ijuí: Ed. Unijuí – Rio Grande do Sul 2005.

KISHIMOTO, Tizuko Mochida O jogo e a Educação Infantil / Tizuko Mochida Kishimoto.  São Paulo: Pioneira Thomson Learning  2003.

LE BOULCH, Jean –: Educação Psicomotora: Psicocinética na Idade Escolar / Jean Le Boulch; TRAD. De Jeni Wolff – Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

MEGALE, Nilza B. Megale. Folclore Brasileiro / Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 1999.

OLIVEIRA, Gislene de Campos . Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico / Gislene de Campos Oliveira – Petrópolis, RJ ; Vozes, 1997.

SÁNCHEZ, MARTINEZ e PEÑALVER, Pilar Arnaiz Sánchez, Marta Rabandán Martinez e Iolanda Vivez Peñalver, A psicomotricidade na educação infantil uma prática preventiva e educativa / Porto Alegre, RS, Editora Artmed, 2003.

SCARPATO, Marta. Educação Física: Como Planejar as Aulas de Educação Física Básica / São Paulo, SP – Avercamp, 2007.

TUBINO & MOREIRA  Metodologia Cientifica do Treinamento Desportivo / Manoel José Gomes Tubino & Sérgio Bastos Moreira. – 13ª Ed. – Rio de Janeiro: Shape 2003.

HUIZINGA, J. Homo Luddens  O Jogo Como Elemento da Cultura / São Paulo: Perspectiva, 2005.

LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientifica: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, publicações e trabalhos científicos. São Paulo. Atlas, 2010.

Ricardo Souza Caramês


 

Sono e Atividade Física

Muito se sabe atualmente sobre a relação existente entre o sono e a atividade física. A prática de exercícios físicos e as condições de sono já foram objeto de vários trabalhos científicos, mesmo assim podemos perceber que este assunto, que tem grande influência no desempenho, ainda levanta muitas dúvidas para os praticantes de qualquer modalidade esportiva, sendo ela competitiva ou não.

Uma das grandes questões levantadas sobre este assunto é sobre a qualidade do sono. Podemos dizer que o praticante regular de exercícios dorme melhor? Vários trabalhos científicos já mostraram que o exercício físico é um potente aliado para a melhora das condições de sono. Indiscutivelmente há uma série de benefícios fisiológicos adquiridos com a prática regular de exercícios que contribuirão para que a noite de sono possa ser mais tranquila e repousante. Para combater a insônia, é reconhecido o benefício que os exercícios físicos, pela liberação de endorfinas, trarão no sentido de combater a ansiedade, que é uma das suas principais causas. 

Certamente a necessidade de reposição de energia do praticante de exercícios também contribui para um repouso de melhor qualidade. Neste caso, aquela sensação de cansaço é uma defesa do organismo que nos fará dormir melhor. Segundo o Dr. Renato Prescinotto, otorrinolaringologista especialista em estudos do sono,  estudos realizados com ratos comprovam diversos benefícios dos exercícios na qualidade do sono. “Os animais submetidos a exercício apresentaram aumento no tempo total de sono, aumento significativo de sono de ondas lentas e sono paradoxal, sendo que de forma mais acentuada neste último, e ainda diminuição das latências de ambos”  afirma o médico.

 Porém, ao que parece, somente os exercícios realizados de forma regular e com intensidade moderada, trazem os benefícios esperados, principalmente em animais de meia idade “estudos observaram um incremento de sono paradoxal nos ratos submetidos a caminhar na roda, enquanto que nos ratos que foram colocados para correr ocorreu o inverso. Isso sugere que o exercício moderado apresenta uma resposta favorável em relação a aumento desta fase de sono, enquanto que a atividade intensa apresenta uma influência negativa, provavelmente por ser mais estressante”, relato Dr. Renato.

 Devemos salientar, portanto, que as atividades com alto nível de estress emocional, além do esforço físico envolvido, causam uma descarga de adrenalina que persiste durante muito tempo após a atividade realizada, prolongando o período de alerta e podendo prejudicar a qualidade do sono. Outros fatores comportamentais como o excesso de repouso que precede uma competição, ou até mesmo alteração da rotina de treinamento podem alterar o estado normal e habitual do sono do praticante. 

Assim fica claro que a atividade física feita de forma regular e bem orientada para o nível de condicionamento do praticante, promove benefícios inquestionáveis na qualidade e no tempo de sono, trazendo com isso alterações positivas no desempenho físico bem como nas atividades diárias não relacionadas ao esporte, bom sono...

Diogo Barros (Professor)

 


Treino Desportivo

A noção de treino está, fundamentalmente, ligada a duas ideias principais:

1 - Ao trabalho a realizar num determinado campo de actividade para se conseguir um nível de eficácia elevado. Esta ideia aparece normalmente associada a uma prática de repetição de tarefas, muitas vezes apresentadas segundo sequências facilitadoras, organizadas de acordo com uma lógica de dificuldade crescente.

2 - Ao processo de preparação para um qualquer acontecimento que exija grande concentração por parte do indivíduo ou uma utilização dos recursos físicos e psíquicos de grande exigência.

O treino desportivo abarca estas duas ideias e subordina-as a um propósito principal:
A obtenção do máximo desempenho desportivo.

Entende-se por desempenho desportivo, também conhecido pelo termo inglês “performance”, o resultado, obtido em competição, que expressa as possibilidades máximas individuais numa determinada disciplina desportiva, num determinado momento de desenvolvimento do atleta, bem como da época de preparação.

 
Quando se fala em treino desportivo, portanto, estamos sempre a colocar a questão de uma preparação óptima e sistemática para a competição. Não existe treino desportivo sem um quadro competitivo definido e regulamentado que enquadre, do ponto de vista das dinâmicas sociais, esta prática.

No entanto, a preparação para a competição desportiva, é um processo que tem que ser entendido a longo prazo, devendo desenrolar-se no máximo respeito pelas características individuais, motivação e integridade do estado de saúde do praticante.

Daí que se considere que, se bem que não exista desporto, ou treino desportivo, sem a competição, também não se poderá falar em treino desportivo quando este não é firmemente orientado segundo uma perspectiva pedagógica e formativa tendo em vista o desenvolvimento pessoal de cada praticante.

Consideramos, então o treino desportivo como um processo pedagógico complexo, porque aquilo que o treinador tem que fazer, essencialmente, é, de um modo apropriado e bem adaptado às capacidades e fraquezas de cada um, ensinar novas destrezas e formas de obter sucesso na competição, desenvolvendo, simultaneamente, a capacidade de trabalho e de entrega do praticante, o espírito de equipa e a aptidão de cooperação, a vontade de superação.

O treino desportivo, conduzido adequadamente enquanto processo pedagógico é, também, um factor de enriquecimento cultural e um estímulo para o desenvolvimento intelectual e cognitivo do atleta.
 
Abcdesporto/C.Fernandes

Estrutura e planificação do treinamento desportivo

1. Introdução

    Desde muito tempo se vêm repetindo que "A planificação do treinamento desportivo é antes de tudo o resultado do pensamento do treinador" (Forteza, 1999). Este pensamento deve estar o mais distanciado possível de toda improvisação, integrar os conhecimentos em um sistema estrutural e organizado e mais perto da ciência e tecnologia.

    Para Bompa (2001), o programa anual é uma ferramenta que norteia o treinamento atlético. Ele é baseado em um conceito de periodização, que, por sua vez, se divide em fases e princípios de treinamento. O conhecimento existente sobre a planificação esportiva, assim como o controle do treinamento, é algo que não escapa a nenhum profissional (ou pelo menos não debería ser ignorado).

    É igualmente certo que treinadores que trabalham na área de rendimento esportivo aplicam este conhecimento de forma fundamentalmente artesanal e individual (Feal e col, 2001), por outro lado, parece indiscutivel a obrigação inerente a todo treinador de pôr em prática seus conhecimentos de forma acertada, com o fim de programar o treinamento dos atletas, ademas de recolher a máxima informação possivel que se desprende do processo de treinamento e integrar todo ele para tirar conclusões que permitam melhorar o rendimento de seus atletas.

    O principal objetivo do treinamento é fazer com que o atleta atinja um alto nível de desempenho em dada circunstância, especialmente durante a principal competição do ano com uma boa forma atlética (Bompa, 2001).

    Os conceitos da planificação para Sancho, J. A. (1997) citado por Forteza (2000) são os seguintes:

  • A planificação não intuitiva, não pode ser na sorte. Pelo contrário, tem que seguir um processo, deve como se falou em alguns momentos, planificar-se.

  • Os objetos devem estar de acordo com os problemas e necessidades, devendo aqueles estabelecer-se e determinar-se claramente. Pelo contrário se corre o risco de planificar um processo encaminhado para algo diferente de que realmente se precisa para o primeiro dos casos e sem saber para que no segundo.

  • As metas, os objetos e em última instância os fins devem ser alcançáveis, realistas (o que não exclui uma certa ousadia e um certo nível de risco).

  • A planificação é um processo sequencial e logicamente ordenado, não se desenvolve tudo, simultâneo e nem caprichosamente.

  • A planificação está imersa no meio ambiente, não podendo nem desprezar nem trabalhar a margem do mesmo.

  • Toda planificação pressupõem uma troca efetiva com respeito a situação existente de como se começa.

  • Se planifica para a execução. Não pode se falar de verdadeira planificação, o trabalho exclusivamente teórico sem intenção de por em prática, deve portanto existir vontade de fazé-la efetiva.

    Forteza considera que a planificação do treinamento desportivo é a organização de tudo o que acontece nas etapas de preparação do atleta, é então o sistema que interrelacionam os momentos de preparação e competição. Nessa definição deixa aberto o problema atual da planificação para o rendimento competitivo.

    Estrutura e planificação são dois termos inseparáveis no processo de preparação desportiva, mas são diferentes.

    A estrutura é organização que adotará o período de tempo tanto de treinamento como de competições. A estrutura do treinamento tem um caráter temporal, portanto, considera um início e um fim do processo de preparação e competições e estará determinada fundamentalmente por:

  • O calendário competitivo que considera o número de competições, a frequência, o caráter e a dispersão ou concentração das competições em um período de tempo dado.

  • A organização e dosificação das cargas, que considera se estas serão diluídas ou concentradas, a concepção que se adote no caráter da carga, quer dizer, a proporcionalidade entre as cargas gerais e as especiais.

  • As direções de treinamento, objetos de preparação que considera as direções determinantes do rendimento (DDR) e as direções condicionantes do rendimento (DCR).

    A estruturação do rendimento desportivo é hoje por hoje uma das principais condições para obter um resultado esportivo em qualquer esporte.

    "Uma perfeita estruturação do treinamento garante não só a obtenção de resultados no âmbito mundial se não ademais procura assegurar a longevidade esportiva de nossos atletas..."(Forteza, 1999).

    A paternidade de uma teoria científica e ainda válida ainda que com profundas modificações sobre a estrutura e planificação do rendimento se devemos ao Russo I. Matveiev. Se atualmente existem diferentes conceitos sobre qual estrutura de treinamento é melhor e que todas elas partem da proposta inicialmente pelo russo Matveiev desde os anos 60, considerando os pioneiros Kotov, 1916, Grantyn, 1939, Letunov, 1950, Ozolin, 1949, Gorinevski, 1922 e Pinkala, 1930.

    Para analisar qualquer estrutura atual do treinamento é necessário partir da formulada por Matveiev e conhecida mundialmente por periodização do treinamento.

- Periodização e planificação são conceitos diferentes: a periodização é a estrutura temporal e a planificação é a integração do processo de obtenção do rendimento .

    O objetivo deste estudo é demonstrar dentro de uma revisão de literatura as diferentes estruturas de periodização pedagógica do treinamento desportivo


2. A periodização do treinamento desportivo

    A forma geralmente concentrada da preparação dos atletas é a organização do treinamento através de períodos e etapas.

    A periodização é um dos mais importantes conceitos do planejamento do treinamento. Esse termo origina-se da palabra período, que é uma porção ou divisão do tempo em pequenos segmentos, mais fáceis de controlar denominados fases (Bompa, 2001).

    Esta forma de estruturas o treinamento desportivo tem como seu idealizador o russo Matveiev sendo criada nos anos 60 durante até nossos dias.

    Baseados nos ciclos de supercompensação, criados pelo Austríaco Hans Seyle e modificado pelo grande bioquímico esportivo o russo Yakolev, Matveiev idealizou a periodização do treinamento apoiado em avaliações estatísticas do comportamento em atletas de diversas modalidades esportivas da Ex. União Soviética nas décadas dos anos 50 e 60.

    Esta periodização fundamentava a premissa de que o atleta tem que construir, manter e depois perder relativamente a forma esportiva no largo dos grandes ciclos anuais de treinamento (Matveiev, 1961, 1977, 1981, 1986).

    Desta forma a periodização do treinamento desportivo pode ser entendida como uma divisão organizada do treinamento anual ou semestral dos atletas na busca de prepará-los para alcançar certos objetivos estabelecidos previamente, obter um grande resultado competitivo em determinado ponto culminante na temporada esportiva, ou seja, obter a forma esportiva através da dinâmica das cargas de treinamento ajustadas ao seu ponto máximo em esse momento (Dick, 1988, Mc Farlane, 1986).

    Estas três fases de aquisição, manutenção e perda temporal da forma esportiva se transformou em um âmbito mais geral nos três grandes períodos do treinamento desportivo ao saber: período preparatório, competitivo e transitório (Ozolin, 1989) ou seja:

  • O período preparatório é relativo a aquisição da forma esportiva.

  • O período competitivo é relativo a manutenção da forma esportiva.

  • O período transitório é responsável pela perda temporal da forma esportiva.

Gráfico 1 - Esquema da dinâmica do volume e intensidade da carga global no ciclo anual de treino (uma das variantes típicas). As linhas tracejadas representam o volume de cargas; as contínuas, a intensidade; I e Ia, as grandes "ondas" da dinâmica de cargas; II e IIa, as "ondas médias". Define-se através das colunas o esquema modelo da variação da carga nos microciclos por etapas de treino.

 

    O esquema de Matveiev se tem demonstrado que é muito rígido no que se diz respeito das diversas fases da preparação esportiva, considerando-se que para diferentes modalidades esportivas e diferentes atletas são as mesmas e possuem relativamente a mesma duração (Tschiene, 1985).

    Vários estudos se tem realizado, um de forma complementaria e para aperfeiçoar a periodização de Matveiev (Platonov, 1988, Harre 1988, Ozolin, 1989, Forteza, 1990, Viru, 1991) e outros tentando romper com esta forma tradicional de estruturação do treinamento (Verjoshanky, 1990, Tschiene, 1986, 1988, Bondercsiek com Tschiene, 1985).

    Mc Farlane, 1986 e Dick, 1988 se pronunciaram em seus estudos sobre o tema, estabelecem que a periodização do treinamento desportivo pode ser entendida como uma divisão organizada do treinamento anual ou semestral dos atletas na busca de prepará-los para alcançar certos objetivos estabelecidos previamente e obter um grande resultado competitivo em determinado ponto culminante da temporada competitiva, exigindo que a forma obtida seja o ajuste da dinâmica das cargas em seu ponto máximo para o momento competitivo.

    Observe o quadro resumo sobre as características fundamentais da periodização de Matveiev (Forteza A., 1999).

 

    A essência da periodização de Matveiev é a relação temporal das fases da forma esportiva com a estruturação dos períodos de treinamento (Forteza e Ranzola, 1988).

    Segundo Dilson, 1992 a periodização do treinamento se fundamenta justamente na transferência positiva dos grandes volumes de cargas gerais de trabalho nas primeiras fases de treinamento para uma maior especificidade das fases posteriores.

    Várias críticas tem surgido sobre a periodização de Matveiev e seus seguidores.

    Algumas críticas surgiram sobre a periodização de Matveiev e seus seguidores:

    Weineck, 1989 afirma que a preparação geral tem sentido apenas para elevar o estado geral de preparação do atleta de que por se já está elevado pelos anos de treinamento realizados. Por esta razão segundo ele não se desencadeiam nos atletas os processos adaptativos para uma nova capacidade de resultados aumentado.

    Para Gambetta, 1990 o modelo Matveiev é válido somente para as primeiras fases de treinamento considerando-se que ao aumentar o nível de rendimento dos atletas se deve aumentar também a porcentagem de utilização dos meios de preparação específica.

    Bompa, 2001, argumenta que não existe com os calendários competitivos atuais tempo disponível para a utilização de meios de preparação geral que não correspondem as especificidades concretas do esporte em questão. Este plano coincide com o assinalado a respeito no início deste capítulo.

    Tschiene, 1990, um dos autores que tem mais discutido a periodização de treinamento desportivo, fala sobre a importância de uma preparação individualizada e específica com altos índices de intensidade durante o processo atual de treinamento desportivo, o que não acontece na periodização tradicional de Matveiev, falando que seu esquema é muito rígido em que se refere as diversas fases da preparação desportiva, considerando que para diferentes esportes e atletas são as normas e possuem relativamente a mesma duração. Também chama a atenção para a importância de novas formas alternativas de estruturação do treinamento desportivo surgidas ultimamente e que mais para frente falaremos.

    Verjoshansky, 1990, coloca que a periodização de treinamento desportivo, quando foi entendida tinha como base resultados competitivos muito mais baixo e de um nível de oxigênio muito menor que as atuais pelo que esta forma de estruturar o treinamento se deve conceber unicamente para atletas de nível médio e não em atletas de elite que trabalham com exigências maiores.

    Bondarchuk com Tschiene, 1985 e com Marquez 1989 afirmam que não há transferência positiva da preparação geral para a preparação especial nos esportes de alto nível.

    Matveiev, 1990 respondeu algumas dessas críticas principalmente no que se diz respeito a utilização das cargas gerais e os altos volumes de trabalho nas fases básicas de treinamento colocando que este é um fator que não pode ser contestado e muito menos eliminado. Em nesse fenômeno os conteúdos específicos e vice versa.

    Os principais problemas encontrados na prática concreta do treinamento desportivo estão relacionadas sem dúvida nenhuma com as calendários variados dos ciclos competitivos ao largo dos anos e com o grande número de competições que existem durante o ano.

    Sobre este problema novas formas de estruturar o treinamento desportivo para atletas de alto nível tem surgido, e a tendência é que cada vez se recorram a utilização de uns ou outros sistemas (Raposo, 1989).

    As formas de estruturas do treinamento desportivo que assinalamos a continuação são aquelas que tentam aperfeiçoar a periodização de Matveiev ou as que pretendem romper com ela, é evidente que estas formas não encerram as variadas possibilidades de estruturação de treinamento desportivo mais são atualmente as mais discutidas na literatura internacional especializadas no tema.

2.1. O caráter cíclico do treinamento desportivo

    Os ciclos de treinamento desportivo constituem outra forma estrutural do mesmo, estes igualmente foram formulados por Matveiev nos primeiros anos dos anos 60 e rapidamente se unificaram a estrutura periódica estabelecendo um híbrido estrutural em ambas formas temporais e diferentes de organizar o treinamento.

    Este caráter cíclico se define em dois níveis fundamentais:

  1. Nível de micro estrutura, conhecidos como microciclos.

  2. Nível de meso estrutura, conhecidos como mesociclos.

    A estrutura dos microciclos no treinamento.

    A estrutura do treinamento constitui uma ordem relativamente estável de elementos, os quais tem corelação um com os outros.

 

    Se variamos os lugares das sessões de treinamento o efeito será diferente. Na atualidade, a arte na construção dos treinamentos por meio dos diferentes ciclos tem um importância vital para o êxito da planificação e pelos resultados competitivos.

    O microciclo consta como mínimo de duas fases: a acumulativa que está relacionada em um ou outro grau com o esgotamento e o de restabelecimento que está relacionada com o descanso necessário pelas cargas recebidas.

    Na prática, por questões organizativas do calendário se utiliza frequentemente o ciclo semanal 7 + 2 dias, por outro lado pode haver microciclos desde 2 até 20 dias (Forteza, 1998). A duração mínima é de dois dias, ainda que é pouco utilizado, pois não dá muitas possibilidades a resolução de tarefas de treinamento.

    O tipo de esporte não determina a duração do microciclo, o mesmo depende das tarefas da preparação do processo de treinamento (das direções a cumprir).

    O que se trata é de buscar a duração ótima do microciclo em dependência com o nível de qualificação do atleta, com as direções a cumprir e com o momento da preparação.

    Os microciclos de treinamento permitem concentrar as tarefas nas diferentes sessões, assim como o volume necessário de influências para sua solução. Se mantém até que seja necessários para cumprir as tarefas traçadas na preparação.

    Apesar da grande influência de sessões de treinamento a construção racional do microciclo permite evitar a uniformidade e a monotonia (Manso e Col, 1996).

2.2. Fatores que influem na construção dos microciclos

  1. O regime geral da atividade vital do atleta, influindo a atividade de estudo ou laboral e a dinâmica condicionada da capacidade de trabalho.
    Não é coincidência que com frequência os microciclos de treinamento se constróem nos moldes do calendário semanal. Isto nem sempre responde completamente aos requisitos da estrutura ótima do processo de treinamento, mas facilita a coordenação entre o regime de treinamento e os momentos principais do regime geral da vida dos atletas.

     

  2. O conteúdo, a quantidade de sessões de treinamento e a magnitude somatória das cargas do microciclo, estes fatores estão condicionados em princípio pelas particularidades da especialização e pelo nível de preparação do atleta. A ordem de alternar as magnitudes das cargas e do descanso depende em grande medida da interação dos processos de esgotamento e restabelecimento (Forteza, 1999).

    Segundo Platonov, 1980, existem alguns tipos de magnitudes das cargas.

  • Carga pequena: 20% da máxima.

  • Carga média: 50% da máxima.

  • Carga considerável: 70 à 80% da máxima.

  • Carga grande: + de 80% da máxima.

    A questão é determinar qual é a máxima? Isto é um tema muito discutido.

    Se em cada microciclo se cumprem várias direções de preparação, no geral cada direção tem por uma parte magnitudes diferentes de avaliação e por outros níveis diferentes de intensidades de influências (potenciais de treinamento), assim como pelas tendências das mesma. Como quantificar todas as cargas?

    A adaptação funcional no organismo que se origina no processo de treinamento, se faz em estreita relação com o caráter e a tendência do mesmo. O treinamento multifacético e complexo conduz a adaptação multilateral e por outra parte a tendência unilateral do treinamento provocando uma adaptação profunda e mais unilateral (Hegedus, 1984).

Emerson Ramirez Farto