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 GIPEE - Intervenção Psicomotora


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Psicomotricidade

Uma abordagem abreviada

A Psicomotricidade pode definir-se como sendo uma área que procura entender e investigar as relações e as influências entre o campo psicológico e o campo motor. Tendo como principal objectivo desenvolver a capacidade de ser e de actuar num contexto psicossocial.

 Podemos considerar a Educação Psicomotora uma acção de carácter pedagógico e psicológico que utiliza os meios da Educação Física com o objectivo de normalizar ou melhorar o comportamento da criança.

É ainda utilizada para promover a regulação e harmonização tónica centrada sobre a maneira de “estar” no seu corpo (atitude, postura, esquema corporal, descontracção neuro- muscular); impulsionar movimentos funcionais e expressivos centrados sobre a maneira de “agir” com o seu corpo (praxias, coordenações, dissociações); compensar uma problemática situada na convergência do psiquismo e do somático, intervindo sobre as competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida); possibilitar a vivência da “relação” tónico-emocional através do corpo e das acções.

Em suma, a Psicomotricidade poderá ser utilizada no auxílio de problemáticas de carácter:

-Físico (dispraxia, perturbações do esquema corporal, de lateralidade, de estruturação temporal e espacial, problemas psicossomáticos, perturbações da imagem corporal, desarmonias tónico-emocionais, instabilidade postural, etc.);

-Cognitivo (défices de atenção, de memória, de organização perceptiva, simbólica e conceptual, etc.);

-Sócio-afectivo (inibição, hiperactividade, agressividade, dificuldades de comunicação, etc.).

A Psicomotricidade intervém sobre expressões motoras inadequadas ou inadaptadas, em situações ligadas a problemas de desenvolvimento e de maturação psicomotora, de comportamento, de aprendizagem e de âmbito psico-afectivo.

Utilizando:

-Técnicas de Relaxação e de Consciencialização Corporal (através da reelaboração do esquema e da imagem corporal, da consciencialização tónico-emocional, com intencionalidade psicoterapêutica);

-Educação Gestual e Postural (reeducação da atitude, equilibração e controlo tónico);

-Actividades Expressivas (criação e transformação ao serviço da identidade, da capacidade de comunicação e da exteriorização tónico-emocional das problemáticas);

-Terapia e Reeducação Gnoso-Práxica (estruturação espacio-temporal, organização planificada e interiorização da acção e da sua representação através de formas diversificadas de expressão);

-Actividades Lúdicas (a intervenção psicomotora desenvolve-se no contexto lúdico em grupo ou individual).

Modelos de intervenção:

-Preventivo (promoção e estimulação do movimento, incluindo a melhoria e a manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida);

-Educativo (estimulação do desenvolvimento psicomotor e o potencial de aprendizagem);

-Reeducativo ou Terapêutico (quando a dinâmica do desenvolvimento e da aprendizagem está comprometida, ou quando é necessário ultrapassar problemas psico-afectivos, de base relacional, que comprometem a adaptabilidade da pessoa).

Objectivos gerais da Psicomotricidade:

-Aperfeiçoar ou normalizar o comportamento geral da criança e favorecer a sua integração social (através da consciência do próprio corpo, domínio do equilíbrio, controle da inibição voluntária e da responsabilidade, controle e eficácia das diversas coordenações globais e segmentarias, organização do esquema corporal, orientação espacial e espaço temporal, etc.).

-Favorecer as aprendizagens escolares e preparar a educação das capacidades solicitadas durante a mesma.

No fundo, a Psicomotricidade consiste em educar de forma sistemática as diferentes comportamentos motores e psicomotores facilitando a acção das diversas técnicas educativas, permitindo assim uma melhor integração escolar e social.

Pedro Santos (Professor)


Psicomotricidade, Asinoterapia e Asinomediação

A Psicomotricidade pode ser complementada pelas técnicas de Asinoterapia e Asinomediação.
As técnicas de mediação terapêutica com burros concentram-se nas qualidades do animal: a) no seu ritmo pausado; b) no envolvimento emotivo que proporciona; c) na sensibilidade que nos faz despertar; d) na segurança que transmite; etc.

Os terapeutas ou pedagogos, que utilizam o burro como co-terapeuta, necessitam de estar alerta para detectarem as mais pequenas alterações de comportamento do utente, bem como as mais subtis alterações do seu estado emocional. Estas alterações são perceptíveis através da linguagem corporal do utente, e constituem os primeiros elementos indicativos do bem-estar do utente, durante uma sessão de Psicomotricidade conjugada com a técnica de Asinoterapia ou Asinomediação.

O posicionamento do corpo do utente, mais próximo ou afastado do burro, virado ou não para o animal, as mãos estendidas na direcção do animal, direcção do olhar, os sons produzidos, o estado mais ou menos agitado, etc, conferem-nos pistas acerca da capacidade e disponibilidade do utente para interagir com o animal num dado momento. É importante estarmos atentos à mais sublime linguagem corporal, e sensíveis a todas as formas de comunicação.

Há que ter especial atenção às simbologias do mundo equestre, nomeadamente em relação às crianças extremamente dependentes de outrem, que necessitam de ser conduzidas e assistidas a tempo inteiro para a manutenção dos seus cuidados diários. Nestes casos, é fundamental ter em linha de conta, que montar o burro não é o mesmo que usufruir de uma situação de tracção, através de uma carroça, e igualmente, é diferente de acompanhar o burro ao seu lado, em cadeira de rodas. Ou seja, é necessário ter a noção que existem intervenções específicas adequadas a cada caso, pois que, cada caso é um caso.

As actividades com o burro desenrolam-se sobretudo no plano físico e em contexto natural. Estas actividades desempenham papéis tão importantes como:

1) Proporcionam a interacção com o espaço natural circundante e promovem o estabelecimento de pontes de ligação com o exterior. O estabelecimento destas connecções requer uma boa gestão psicomotora e o uso dos sentidos. Os utentes usufruem do “burro estático” e do “burro em movimento”, o que lhes permite jogar e aprender a pensar no próprio corpo, bem como a senti-lo.

2) Favorecem as capacidades de expressão e de comunicação e por conseguinte a criatividade, a linguagem e os simbolismos culturais associados. A equitação e o maneio cultural dos asininos assumem contornos interessantes.

3) O aumento do auto-conceito, auto-conhecimento e auto-estima, estão intimamente relacionados com a qualidade da relação que se estabelece entre o asinino e o ser humano. Quando a qualidade do relacionamento é boa, a equipa tem o ambiente e as circunstâncias criadas para conduzir um processo terapêutico de forma eficaz, bem como a expectativa de conseguir resultados positivos.

4) Permitem a percepção da extensão emocional e afectiva que pode assumir o contacto livre com o burro; este contacto permite-nos descobrir e sentir que muita da empatia é criada e demonstrada muito simplesmente através da posição, expressão física e emotiva, e movimentação espacial, que animal e criança assumem em campo.

5) A Psicomotricidade dá especial atenção aos rituais, às rotinas e à sua permanência no tempo. Para sujeitos em dificuldade, com necessidades especiais, o contacto com o burro de forma rotineira pode transmitir segurança e aos poucos proporcionar o desenvolvimento do desejo de aventura e de descoberta de novas actividades e experiências.

in www.aepga.pt/portal/


A psicomotricidade nas aulas de Educação Física escolar: uma ferramenta de auxilio na aprendizagem

Introdução

    A Educação Física escolar nos dias atuais levou-nos a perceber as diversas possibilidades de garantir a formação integral dos alunos por meio do movimento humano.

    No entanto, a busca por ferramentas de auxilio na aprendizagem escolar tem se tornado uma constante multidisciplinar, na qual a Educação Física e o conhecimento da psicomotricidade nas aulas abrangem a relação desenvolvimento motor e intelectual da criança. Compreendendo que os estudos atuais ultrapassam os problemas motores, pesquisam-se as ligações com as áreas psicomotoras: Coordenação Motora Fina e Global, Estruturação Espacial, Orientação Temporal, Lateralidade, Estruturação Corporal e as relações com a aprendizagem no contexto escolar.

    Segundo Barreto (2000) o desenvolvimento psicomotor é importante na prevenção de problemas de aprendizagem.

    Portanto, a psicomotricidade nas aulas de Educação Física pode auxiliar na aprendizagem escolar, contribuindo para um fenômeno cultural que consiste de ações psicomotoras exercidas sobre o ser humano de maneira a favorecer comportamentos e transformações.

    É, sobretudo, visando à possibilidade de compreensão da importância de se inserir conhecimentos da psicomotricidade nas aulas de Educação Física com o intuito de auxiliar na aprendizagem global dos alunos. E qual a contribuição que a Educação Física proporciona a criança com queixa de dificuldade de aprendizagem no Ensino Fundamental II.

    Propõem-se aqui questões relacionadas à aprendizagem, a Educação Física e a psicomotricidade pela incessante procura por ferramentas que auxiliem na intervenção de crianças que apresentam queixas de dificuldades na aprendizagem e a possibilidade de se encontrar nas aulas de Educação Física esse auxilio por meio das práticas psicomotoras.

    Sabe-se da importância da psicomotricidade na aprendizagem e no desenvolvimento global de crianças em idade escolar, por isso este trabalho contribui tanto para área da Educação Física escolar quanto para a Educação de um modo geral e para que outros profissionais possam a partir deste explorar novas possibilidades.

    Este trabalho organiza-se em três capítulos sendo que num primeiro momento, apresentam-se a psicomotricidade, seus conceitos e sua relação com a aprendizagem no Ensino Fundamental II e com a Educação Física. Na segunda parte, será abordada a Educação Física escolar, sua relação com a psicomotricidade e com a aprendizagem escolar. E no capítulo final, o terceiro, serão elaboradas algumas propostas psicomotoras para o desenvolvimento de atividades nas aulas de Educação Física, como sugestão para atingir os objetivos propostos.


Capitulo 1

Psicomotricidade

    Neste capitulo estará sendo apresentado alguns conceitos da psicomotricidade e sua identificação com o desenvolvimento integral do ser humano, explorando e compreendendo seu aspecto funcional e relacional por meio das áreas psicomotoras, e a relação da psicomotricidade com a aprendizagem no Ensino Fundamental II.


1.1. Conceito

    O homem comunica-se através da linguagem verbal, também através de gestos, movimentos, olhares, forma de caminhar - sua linguagem corporal.

    A esta comunicação, a este estar-no-mundo intenso dentro do limite da corporeidade - espaço próprio do sujeito -, pode-se nominar psicomotricidade.

    Embora, conforme admitem os próprios autores, esta visão possa ir longe demais enquanto generalização, os estudos sobre o desenvolvimento humano parecem seguir esquemas, descrevendo o desenvolvimento normal para que se possa compreender o diferente.

    A psicomotricidade não foge a esta regra quando define os padrões considerados normais para o desenvolvimento psicomotor (considerando descrições feitas pela neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia e áreas afins), desenvolvendo pontos de referência escalonados a partir dos quais poder-se-ão construir todos os testes infantis e as escalas de quociente de desenvolvimento; e, por conseguinte, avaliar e diagnosticar o atraso atual, assim como o desenvolvimento futuro. (Coste, 1981)

"A identidade da Psicomotricidade e a validade dos conceitos que emprega para se legitimar revelam uma síntese inquestionável entre o afetivo e o cognitivo, que se encontram no motor, é a lógica do funcionamento do sistema nervoso, em cuja integração maturativa emerge uma mente que transporta imagens e representações e que resulta duma aprendizagem mediatizada dentro dum contexto sócio-cultural e sócio-histórico" (Fonseca, 1989).

    Segundo Fonseca (1989) em Psicomotricidade, o corpo não é entendido como fiel instrumento de adaptação ao meio envolvente ou como instrumento mecânico que é preciso educar, dominar, comandar, automatizar, treinar ou aperfeiçoar, pelo contrário, o seu enfoque centra-se na importância da qualidade relacional e na mediatização, visando à fluidez eutônica, a segurança gravitacional, a estruturação somatognósica e a organização práxica expressiva do indivíduo.

    Privilegia a totalidade do ser, a sua dimensão prospectiva de evolução e a sua unidade psicossomática, por isso está mais próxima da neurologia, da psicologia, da psiquiatria, da psicanálise, da fenomenologia, da antropologia etc.

    A psicomotricidade é a posição global do sujeito. Pode ser entendido como a função de ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. Pode ser entendido como um olhar globalizado que percebe a relação entre a motricidade e o psiquismo como entre o indivíduo global e o mundo externo. Pode ser entendido como uma técnica cuja organização de atividades possibilite à pessoa conhecer de uma maneira concreta seu ser e seu ambiente de imediato para atuar de maneira adaptada. (De Meur y Staes, 1992).


1.2. Áreas Psicomotoras

    Quando se relaciona a realização do movimento como atividade de um organismo total expressando a personalidade seu todo proporcionado por diferentes estímulos, pensa-se nas possibilidades de vivencias de movimentos humanos básicos (andar, saltar, correr, rastejar, rebater equilibrar, esquivar-se, quicar, equilibrar, chutar, passar, receber, transportar...) como maneira de desenvolver o ser todo a partir da compreensão das áreas psicomotoras.

    Segundo Vitor da Fonseca (1988) a psicomotricidade atualmente é concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação entre o individuo e o meio, na qual a consciência se forma e se materializa.

    O poder agir, o poder sobre o próprio corpo, de acordo com Lapierre (1988) e a descoberta deste "poder agir" associado ao "poder sentir" é o que traz uma nova dimensão ao prazer do movimento, é o prazer de ação, de vivenciar as coisas simples e complexas. O qual o prazer de viver o próprio corpo é experimentar o prazer do movimento em si mesmo.

    O constante processo de atualização e busca onde a concepção do corpo e o saber psicomotor focalizam seu objeto de estudo nas estruturas psicomotoras. A psicomotricidade apresenta o aspecto comunicativo do individuo e pode-se dividi-la em funcional e relacional. Os conceitos funcionais são referentes à interação da motricidade do individuo em um determinado espaço e tempo, cuja ação e qualidade são percebidas e mensuradas através das estruturas psicomotoras definidas como básicas: Locomoção, Manipulação e Tônus que interagem o corpo como um só. Segundo Lapierre, a Psicomotricidade Relacional possibilita à criança expressar suas dificuldades relacionais e ajudá-la a superá-las. Não tem objetivos pedagógicos diretos, mas sim uma influência clara sobre as dificuldades de adaptação escolar, na medida em que estão diretamente relacionadas com os fatos psicoafetivos relacionais.

    A psicomotricidade relacional propõe operar em aspectos psicoafetivos que geram atitudes relacionais, oferecendo um espaço de jogo espontâneo com o seu grupo, para que possa manifestar suas necessidades e desejos, buscando potencializar e, muitas vezes resgatar o prazer corporal, através do movimento, reconhecendo uma unidade corporal.


    Coordenação Motora Fina

    Capacidade de controlar pequenos músculos para exercícios refinados. Exemplo recorte, colagem, encaixe, escrita, etc.


    Coordenação Motora Global

    Possibilidade do controle e da organização da musculatura ampla para a realização de movimentos complexos. Exemplos: correr, saltar, andar, rastejar, etc.


    Estruturação Espacial

    É a orientação e a estrutura do mundo exterior, a partir do Eu e o depois a relação com outros objetos ou pessoas em posição estática ou em movimento, é a consciência da relação do corpo com o meio.


    Organização Temporal

    É a capacidade de avaliar tempo dentro da ação, organizar-se a partir do próprio ritmo, situar o presente em relação a um antes e a um depois, é avaliar o movimento no tempo, distinguir o rápido do lento. E saber situar o momento do tempo em relação aos outros.


    Estruturação Corporal

    Relacionamento do individuo com o mundo exterior, conhecimento e controle do próprio corpo e de suas partes, adaptação do mesmo ao meio ambiente.

    Imagem Corporal: A experiência do individuo em relação ao próprio corpo sujeito, impressão subjetiva.

    Conhecimento Corporal: Conhecimento intelectual que se tem do próprio corpo.

    Esquema Corporal: Tomada de consciência de cada segmento do corpo (interna e externa) o desenvolvimento do esquema corporal se da a partir da experiência vivida pelo individuo com base na disponibilidade do conhecimento que tem sobre o próprio corpo e de sua relação com o mundo que o cerca.


    Lateralidade

    Representa a conscientização integrada e simbólica interiorizada dos dois lados do corpo, lado esquerdo e lado direito, o que pressupõe a linha média do corpo, que no decorrer estão relacionados com a orientação face aos objetos. Essa conscientização do corpo pressupõe a noção de direita e esquerda e, sendo que a lateralidade com mais força, precisão, preferência, velocidade e coordenação, melhor capacidade e dominância cerebral.


1.3. A psicomotricidade e a sua relação com a aprendizagem no Ensino Fundamental II

    Ao se pesquisar o processo de aprendizagem escolar, nota-se que a escola existe para promover o máximo crescimento da criança e este abrange tanto a aprendizagem quanto à maturação de potencialidades herdadas. Entre alguns conceitos deste crescimento Mouly (1979), afirma que a aprendizagem refere-se a mudanças de comportamento resultantes de experiências. Se a intenção da aprendizagem é tornar um individuo mais capaz de lidar com situações semelhantes em seu ambiente, é preciso proporcionar situações que o familiarizem com o meio.

    De acordo com Oliveira (1997), o saber ler e escrever se tornou uma capacidade indispensável para que o indivíduo se adapte e se integre ao meio social. Sendo a sua leitura e a escrita manifestações de linguagem importantes para essa integração com o ambiente.

    A linguagem está ligada ao meio do individuo e é um aprendizado cultural, tendo a função importante de comunicação com o ambiente, assim como para Oliveira (1997) que afirma que a fala é um ato motor organizado que explora funções corporais como percepção, coordenação motora, orientação espacial, noção de esquema corporal e estruturação temporal.

    A linguagem é a forma de expressão das compreensões e de ações adquiridas através dos processos de aprendizagem. Portanto, a aprendizagem é um processo global que envolve todo o ser corpo.

    A aprendizagem no Ensino Fundamental II se apresenta como continuação de um ciclo de ensino de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), e esse esforço coletivo para uma construção de ensino de qualidade, critico, cientifico e transformador que visa a formação do cidadão integrado e consciente de seu tempo, de sua herança histórico-cultural e de sua responsabilidade cultural. Trabalhos que contribuem para o crescimento intelectual e emocional do individuo e para a melhoria da qualidade de vida na sociedade. Promovendo, no entanto no ambiente escolar o desenvolvimento integral do educando, contemplando conceitos, habilidades, atitudes e emoções, através de metodologias que valorizem a participação do individuo no processo de ensino aprendizagem e que forneça a formação de cidadãos flexíveis prontos para o convívio com o mundo contemporâneo.

    A psicomotricidade se integra paralelamente aos meios metodológicos para a integração desse processo de aprendizagem, com a possibilidade de se auto-conhecer, explorar-se de acordo com o ambiente, e a busca pela totalidade do Ser. E priorizar um desenvolvimento em que se estimula um indivíduo dinâmico, criativo, capaz de considerar valores no desenvolvimento do ensino, por intermédio de atividades diversificadas, atraentes e conscientes, interagindo o individuo com a sociedade estimulando a construção do conhecimento por meio das estruturas psicomotoras.


Capitulo 2

    Este capítulo tem como objetivo apresentar a Educação Física escolar no contexto histórico e atual, e por meio desse conhecimento, entender e compreender a prática pedagógica nas aulas e a sua contribuição para a formação integral do aluno como um ser em formação constante.

    Também será abordado neste capitulo a relação da Educação Física escolar com a aprendizagem no Ensino Fundamental II a qual a busca pela nova escola se apresenta como fator principal de que os alunos sejam capazes de adquirir conhecimento de maneira global.

    E a Educação Física escolar e sua relação com a psicomotricidade, a qual será apresentada às particularidades e conceitos que interagem entre si a relação corpo movimento e conhecimento.


2.1. A Educação Física escolar

    A identidade da Educação Física escolar vem sendo moldada por várias décadas, tendo a mesma passado por diversas fases e desde então essas influências no campo pedagógico e cientifico.

    Sabe-se que atualmente na área da Educação Física escolar existe várias concepções que visam em comum o rompimento com o modelo mecanicista, esportista e tradicional na prática pedagógica. A visão esportiva e de desempenho na pratica de atividades de Educação Física escolar em que buscava a descoberta de novos talentos e a melhoria da aptidão física e que se excluíam os pouco habilidosos tem ficado para trás.

    A relação da Educação Física escolar e o seu papel social alem de competições, desempenho e descoberta de talentos e passou-se a discutir a influencia das teorias criticas da educação. Ocorrendo então uma mudança no enfoque, no que se referia aos objetivos, conteúdos e pressupostos pedagógicos de ensino aprendizagem, ampliando para alem da visão biológica, enfatizando também as dimensões psicológicas, sociais, cognitivas e afetivas, reconhecendo o aluno como ser humano integral.

    Esse reconhecimento de ser humano integral com suas origens cultura é contemplado nos múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento.


2.2. A Educação Física escolar e a sua relação com a aprendizagem no Ensino Fundamental II

    Segundo Darido a Educação Física escolar apresenta-se por meio de seus conteúdos: conhecimento sobre o corpo, jogos e brincadeiras, esporte, dança (atividade rítmica expressiva), ginástica, lutas e capoeira, para alem do fazer.

    Os objetivos da Educação Física escolar na aprendizagem no Ensino Fundamental, ocorre por intermédio da democratização e acesso a informações e experiências ambientais propostas pelo cotidiano escolar, proporcionar e promover a autonomia dos alunos, e oportunidade de refletir sobre suas ações de maneira crítica.

    A característica do envolvimento da Educação Física na aprendizagem se dá expressivamente por meio de atividades de praticas corporais, projetos interdisciplinares e transdisciplinares e ensino reflexivo, o qual explora a integração professor - aluno, mídia - imaginário e cultura escolar.

    De acordo com Soares (et al. 1992) a Educação Física na escola se apresenta alem do desenvolvimento motor e da aptidão física, mas sim na utilização da pratica reflexiva sobre a cultura corporal em seus aspectos mais amplos relacionados ao conhecimento global.

    Ao pesquisar-se os Parâmetros Curriculares Nacionais, observa-se que a Educação Física e a Educação de uma maneira geral busca proporcionar aos alunos o desenvolvimento integral, sistematizando situações de ensino aprendizagem que garantam acesso ao conhecimento pratico e conceitual visando o aprimoramento de suas potencialidades.

    Independente dos conteúdos a serem trabalhados, os processos de ensino aprendizagem devem ser considerados nos alunos em todas as dimensões ( cognitiva, afetiva, corporal, ética, estética,relação interpessoal e inserção social), o mesmo deve aprender alem das técnicas, mas que sua aprendizagem possas contribuir para construção de um estilo pessoal.

    No entanto, nas aulas de Educação Física embora seja bem evidente os aspectos corporais, e a aprendizagem estejam vinculados a prática corporal o aluno precisa ser observado nos seus aspectos cognitivo, afetivo e corporal em todas as suas ações. No processo de Ensino aprendizagem a Educação Física, não se restringe a simples pratica corporal, mas em capacitar o aluno a refletir suas possibilidades como ser humano.

    Portanto, aprender a movimentar-se implica em planejar, experimentar, avaliar, optar entre alternativas, coordenar ações do corpo com objetos no tempo e no espaço e interagir com outras pessoas, e devem ser considerados e favorecidos os procedimentos cognitivos no processo de ensino aprendizagem.


2.3. A Educação Física e sua relação com a Psicomotricidade

    A Educação Física escolar nos dias atuais vem sendo pensada como ação educativa integral do ser humano, assim como a psicomotricidade que relaciona o individuo como um ser completo e único capaz de pensar e agir, deixando de lado as características de dualidade de corpo e mente, e sim como um ser capaz de integrar-se com si próprio e com o meio.

    O trabalho da educação psicomotora é indispensável no desenvolvimento motor, afetivo e psicológico do individuo para sua formação integral, e é explorado por meio de jogos e atividades lúdicas que oportunize a conscientização do próprio corpo e ser.

    Esta concepção de formação integral nos conceitos da Educação vem sendo abordada como uma nova forma educativa para a formação de um ser completo e autônomo de suas ações.

    Assim como a psicomotricidade a Educação Física escolar era abordada apenas como ferramenta de desenvolvimento motor. No entanto hoje com a inovação nas perspectivas de uma Educação Física escolar que reconhece o ser humano como um ser complexo de emoções e ações próprias, propiciadas por um contato corporal e a sua relação com o mundo.

    Entende-se que a Educação Física escolar e a sua relação com a psicomotricidade tem como base as necessidades do ser humano em integrar-se com o si próprio e com o ambiente por meio de ações e movimentos conscientes e de experiências vivenciadas e adquiridas em todas as etapas da vida.

    Tendo em vista que a psicomotricidade valoriza no ser a capacidade de experimentar sentimentos e emoções através dos movimentos de seu próprio corpo, a Educação Física associada a ações psicomotoras possibilita um desenvolvimento global através do movimento corporal consciente, que sente, pensa e agi em diferentes situações, sendo este um ser humano autônomo em suas realizações.

    Atuando, no entanto, um modelo pedagógico em que a psicomotricidade nas aulas de Educação Física escolar esteja fundamentada na interdependência do desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo dos indivíduos e como componente curricular na formação das estruturas de base para as tarefas educacionais e cotidianas.


Capítulo 3

    Este capítulo tem o propósito de expor atividades comuns das aulas de Educação Física a serem observadas em uma abordagem psicomotricista.


Propostas de Trabalho

    Atividades pré-desportivas de cultura corporal de movimento.

    Atividades recreativas de cultura corporal de movimento (na integra do trabalho).


Considerações finais

    A Educação Física e a psicomotricidade são metodologias interligadas em que o desenvolvimento dos aspectos motor, social, emocional dos movimentos corporais é vivenciado, através de atividades motoras.

    Pode-se afirmar, que a Educação Física possui um impacto positivo no pensamento, no conhecimento e ação, nos domínios cognitivos, na vida do ser humano. Entretanto o individuo fisicamente educado vai para uma vida ativa, saudável e produtiva, criando uma integração segura e adequado desenvolvimento de corpo, mente e espírito.

    Portanto, a Educação Física, pelas suas possibilidades de desenvolver a dimensão psicomotora das pessoas, com os domínios cognitivos e sociais, é de grande importância no desenvolvimento da aprendizagem escolar.

    Assim a Educação Física, através de atividades afetivas, psicomotoras e sociopsicomotoras, constituem-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na interação entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o indivíduo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano.


Referências

  • BARRETO, Sidirley de Jesús. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2ª ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000.

  • DARIDO, Suraya Cristina. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

  • FONSECA, Vitor. Psicomotricidade. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

  • LAPIERRE, André e AUCOUTURIER, B. A Simbologia do Movimento: psicomotricidade e educação. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

  • MEUR, A de e STAES, L Psicomotricidade: educação e reeducação. São Paulo: Manole, 1984.

  • RODRIGUES, David. A Educação Física perante a Educação Inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas. Lisboa: Boletim da Sociedade Portuguesa de Educação Física, 24/25, pp.73-81.

Vanessa Ascenção Monteiro