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Fisioterapia

Efeitos da fisioterapia respiratória convencional versus aumento do fluxo expiratório na saturação de O2, freqüência cardíaca e freqüência respiratória, em prematuros no período pós-extubação

INTRODUÇÃO

Devido à imaturidade do sistema respiratório, os recém-nascidos (RN) prematuros apresentam altos riscos de desenvolver complicações respiratórias com necessidade de ventilação pulmonar mecânica, assim, a possibilidade de fisioterapia respiratória torna-se cada vez mais necessária em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal1.

A técnica de higiene brônquica é descrita tradicionalmente na literatura como fisioterapia respiratória convencional (FRC) e compreende as manobras de drenagem postural, pressão manual torácica, facilitação da tosse e/ou aspiração de vias aéreas superiores2.

O aumento do fluxo expiratório (AFE) é uma técnica não convencional de desobstrução brônquica que pode ser aplicada desde o nascimento, inclusive no RN prematuro, quando existe doença respiratória com obstrução das vias aéreas3. A desobstrução é realizada por meio de preensão bimanual, com uma mão envolvendo e comprimindo suavemente a parede anterolateral do tórax do RN durante a expiração, enquanto a outra mão exerce apoio estático no abdome4.

O AFE é definido como aumento ativo, ativo-assistido, ou passivo do volume expirado, em velocidade ou quantidade. Dentre as técnicas fisioterapêuticas o AFE é uma das mais utilizadas em pediatria, tendo como objetivo mobilizar, deslocar e eliminar as secreções traqueobrônquicas5, 6.

Em RN prematuros não existem estudos comparativos das técnicas convencionais e técnicas a fluxo, embora ambas sejam usadas rotineiramente em UTI Neonatal.

Considerando a importância da assistência fisioterapêutica nos cuidados ao prematuro e a escassez de estudos sobre o tema, este estudo teve como objetivo: comparar os efeitos da FRC versus AFE na saturação de O2 (SpO2), freqüência cardíaca (FC) e freqüência respiratória (FR) de recém-nascidos prematuros, nas primeiras 48 horas pós-extubação.

MÉTODO

Estudo prospectivo e randomizado, envolvendo recém-nascidos prematuros internados na UTI Neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, no período de janeiro a março de 2004. O estudo foi realizado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (541/2003).

Foram considerados prematuros os RN com idade gestacional inferior a 37 semanas, conforme critério da Organização Mundial de Saúde, e classificados como prematuros extremos aqueles com idade gestacional inferior a 31 semanas. A idade gestacional foi calculada preferencialmente pela data da última menstruação, desde que houvesse certeza ou pelo ultra-som obstétrico realizado até 20 semanas de gestação. Quando não disponíveis estas informações utilizou-se o método de New Ballard para estimar a idade gestacional7.

Critérios de inclusão

- idade gestacional menor que 37 semanas e idade pós-natal inferior a 30 dias;

- uso de FiO2 menor ou igual a 0,4;

- ausência de má-formação congênita;

- respiração espontânea, nas primeiras 48 horas pós-extubação;

- solicitação médica para fisioterapia respiratória;

- consentimento materno livre e esclarecido para a participação na pesquisa.

O estudo foi delineado na forma de intenção de tratamento, tendo como critério de suspensão da manobra fisioterapêutica a diminuição da SpO2 para valores inferiores a 90%.

Procedimento

Após a solicitação médica de fisioterapia respiratória, a pesquisadora avaliava se o recém-nascido preenchia os critérios de inclusão; caso o paciente não fosse incluído procedia-se o atendimento fisioterapêutico conforme a rotina do serviço. Quando o recém-nascido preenchia os critérios de inclusão, a seqüência era: solicitar o consentimento materno e proceder a randomização.

Para a randomização foram confeccionados 20 cartões com a palavra FRC e 20 cartões com a palavra AFE, colocados individualmente em envelopes lacrados. O sorteio foi realizado pelo médico responsável pelo paciente e apenas a pesquisadora principal, responsável pela aplicação das técnicas conheciao conteúdo do cartão. Outra pesquisadora mensurava as variáveis nos três momentos de avaliação; assim este estudo pode ser considerado cego.

Após a randomização os recém-nascidos foram avaliados quanto à ausculta pulmonar, expansibilidade torácica, padrão respiratório, oximetria de pulso e padrão radiológico.

Foram obtidos dos prontuários e anotados em protocolo específico para pesquisa, os seguintes dados dos recém-nascidos: peso de nascimento, idade gestacional, tipo de parto, doenças, idade no início da fisioterapia.

Os recém-nascidos do Grupo FRC, receberam a drenagem postural e a tapotagem posicionados em decúbito lateral direito e esquerdo com duração de cinco minutos em cada lado. Na posição supina foram submetidos à vibrocompressão por mais cinco minutos, e ao término, para a eliminação de secreções, procedeu-se a aspiração de boca e narinas por um período de aproximadamente cinco minutos ou até que não houvesse mais secreções.

Os recém-nascidos do Grupo AFE, receberam a técnica AFE lento, na posição supina por 15 minutos, com o seguinte posicionamento das mãos do terapeuta: uma das mãos nas costelas inferiores e a outra utilizando a borda cubital na linha supramamária com compressão suave do tórax. No final da técnica os recém-nascidos foram aspirados com utilização de sonda e luvas estéreis, por um período de aproximadamente cinco minutos.

Nos dois grupos de estudo foram aferidas e anotadas a SpO2, freqüência cardíaca e freqüência respiratória, durante cinco minutos antes do início da técnica, após 10 minutos e após 30 minutos da aplicação das técnicas. Durante todo o procedimento os RNs foram continuamente monitorados com monitor multiparamétrico marca Dixtal® para observar qualquer dessaturação, taquicardia ou bradicardia, o que indicaria suspensão da técnica. Os RN estudados foram acompanhados até a alta da UTI, porém neste estudo foram utilizados os dados dos três primeiros dias de realização da fisioterapia. A assistência fisioterapêutica foi realizada duas vezes ao dia, uma no período da manhã e outra no período da tarde, com duração média de 20 minutos cada sessão.

Análise estatística

As variáveis contínuas que tiveram distribuição normal foram analisadas pelo teste t Student, considerando-se a distribuição bi-caudal. As variáveis que não tiveram distribuição normal, foram comparadas pelo teste não paramétrico de Mann-Whitney. Para as variáveis categóricas foi utilizado o teste do Qui-quadrado ou exato de Fisher. Em todos os testes adotou-se o nível de significância em 5%.

RESULTADOS

Participaram do estudo 40 recém-nascidos prematuros, distribuídos em dois grupos: 20 no grupo FRC e 20 no grupo AFE.

Nenhum RN apresentou efeito adverso com as manobras e assim não houve exclusão do estudo.

A amostra foi constituída predominantemente por pequenos prematuros, sendo 67,5% deles com idade gestacional inferior a 31 semanas e 90% com peso ao nascimento menor que 1500g, sendo 14 do sexo feminino no Grupo FRC e apenas seis no Grupo AFE. A média do peso de nascimento no Grupo FRC foi de 1133 ± 375g. e no Grupo AFE foi de 1105 ± 337g., sem diferença entre os grupos (p = 0,805).

As principais características e diagnósticos dos RN encontram-se na Tabela 1. As Figuras 1, 2 e 3 apresentam os valores de SpO2, freqüência cardíaca e freqüência respiratória nos Grupos FRC e AFE nos três momentos de avaliação.

Em ambos os grupos houve aumento significativo da SpO2 aos 10 e 30 minutos após as manobras. A freqüência cardíaca aumentou após a FRC e não houve alteração significativa na freqüência respiratória.

 DISCUSSÃO

Os avanços tecnológicos aumentaram a sobrevida de RN de alto risco, com pesos de nascimento e idades gestacionais cada vez menores, os quais evoluem com elevada morbidade neonatal requerendo assistência multiprofissional. Assim a fisioterapia tem adquirido papel de destaque em várias situações, dentre elas o relaxamento muscular, posicionamento, manutenção de boa postura, promoção da auto-organização e o auxílio na ventilação pulmonar do neonato8.

As características da casuística deste estudo foram homogêneas nos dois grupos e enquadram-se perfeitamente no perfil esperado da clientela de uma UTI neonatal de um hospital de nível terciário, ou seja, prematuros com idade gestacional e peso ao nascimento muito baixo, o que é importante, pois estes RN apresentam elevada morbidade neonatal e grandes limitações em sua função respiratória9. Coerente com estas características dos RN a SDR foi a doença inicial mais freqüente nesta amostra10, entretanto o início da fisioterapia na segunda semana de vida sugere que a indicação desta assistência não foi a SDR, e sim suas complicações, destacando-se como uma das mais freqüentes em nosso meio a infecção, que é sempre uma preocupação em pacientes submetidos à ventilação mecânica11.

No presente estudo, tanto a FRC como o AFE aumentaram significativamente a SpO2 nos dois momentos de avaliação (10 minutos e 30 minutos após as manobras), mostrando que, a curto prazo, estas técnicas são benéficas para a oxigenação. Porém há que se considerar que os RN avaliados já apresentavam SpO2 em níveis adequados antes da fisioterapia.

Resultado semelhante foi descrito por Finner et al.12, que com o uso da FRC em 20 recém-nascidos de termo e de pré-termo, obtiveram em 15 minutos após a fisioterapia, aumento significativo de 14,5mm Hg na PaO2. Entretanto, não há unanimidade quanto aos benefícios da fisioterapia respiratória em recém-nascidos, pois Fox et al.13 e Poleart et al.14 mostraram redução significativa da PaO2 após a FRC. Em relação ao efeito do AFE na oxigenação de recém-nascidos, não encontramos relatos na literatura que permitam confrontar nossos resultados.

Quanto à freqüência cardíaca os valores médios dos prematuros aqui estudados foram normais em todos os momentos de avaliação, entretanto após a FRC houve aumento significativo da FC que persistiu até 30 minutos, o que não ocorreu após o AFE sugerindo que esta manobra (AFE) seja menos estressante ao RN. Há de se considerar que qualquer doença causa estresse e pacientes de UTI são submetidos freqüentemente a vários fatores e situações de estresse físico e psicológico, tais como: imobilização, privação ou sobrecarga sensorial, desorientação, manipulação excessiva e principalmente dor15. Neste contexto o AFE pode ser considerado melhor que a FRC.

Os efeitos da fisioterapia respiratória na freqüência cardíaca são pouco referidos na literatura. Em estudo com pacientes adultos gravemente doentes documentou-se ocorrência de arritmias durante a FRC16.Enquanto que,recente estudo experimental, com ovelhas adultas mostrou que a técnica convencional de fisioterapia respiratória não apresentou efeitos hemodinâmicos adversos, pois sua aplicação não causou alteração na freqüência cardíaca, na pressão arterial e nas pressões de artéria pulmonar e átrio direito17. Em recém-nascidos prematuros com ventilação mecânica, Antunes et al.18 não observaram alteração na freqüência cardíaca em função do posicionamento em supino ou prono. Vivian-Beresford et al.19 relataram tendência a bradicardia com a aplicação da FRC em prematuros no período pré-extubação. Em recém-nascidos com respiração espontânea em fase de recuperação de doença respiratória, Fox et al.13 relataram a ocorrência de bradicardia transitória em alguns pacientes com a aplicação da fisioterapia convencional.

Tanto a FRC como o AFE não causou alterações significantes na freqüência respiratória que se manteve com valores normais durante todo o período de estudo, o que se justifica pelo fato dos RN estudados serem prematuros estáveis, em respiração espontânea com mínima necessidade de oxigênio e sem doença respiratória aguda. Resultados diferentes foram obtidos por Fox et al.13, que ao estudar as alterações fisiológicas e respiratórias associadas à fisioterapia respiratória documentaram aumento significativo da freqüência respiratória após a FRC.

Quanto aos efeitos cardiorrespiratórios do AFE, não dispomos de estudos em recém-nascidos. Entretanto, em crianças esta técnica foi avaliada em estudo nacional, não controlado, que mostrou, em 94 crianças com idade média de dois anos e diagnóstico de pneumonia, aumento significativo na freqüência respiratória e freqüência cardíaca, com normalização em 20 minutos. A saturação de O2 também apresentou aumento significativo após a aplicação da técnica e manteve-se elevada após o procedimento 20.

Apesar da reconhecida importância e da freqüente participação da fisioterapia respiratória na assistência neonatal ainda são escassos os estudos que avaliam a eficácia e segurança das técnicas fisioterapêuticas no recém-nascido, conforme mostra a revisão sistemática de Flenady e Gray1, que pode incluir apenas três ensaios clínicos controlados envolvendo 138 recém-nascidos para avaliar os efeitos da fisioterapia respiratória na prevenção de morbidade em recém-nascidos, durante o desmame da ventilação mecânica. A conclusão desta revisão foi que embora a fisioterapia possa reduzir a necessidade de reintubação, os dados são insuficientes para que se possa determinar a eficácia e segurança deste procedimento, havendo necessidade de mais estudos.

Os resultados do presente estudo sugerem que o AFE pode ser aplicado com segurança em prematuros de muito baixo peso, estáveis e no período pós-extubação. Seu efeito a curto prazo na oxigenação equipara-se à FRC, tendo como vantagem a ausência de repercussão na freqüência cardíaca. Há necessidade de mais estudos para confirmar estes resultados iniciais, avaliar o efeito desta intervenção em outras situações como o uso de ventilação pulmonar mecânica, bem como investigar seu efeito em outros desfechos clínicos relevantes, tais como: quantidade de secreção eliminada, tempo de assistência ventilatória e/ou uso de oxigênio.

 Antunes LCO; Silva EG; Bocardo P; Daher DR; Faggiotto RD; Rugolo LMSS


Como o Fisioterapeuta pode ajudar em problemas respiratórios?

Como o fisioterapeuta pode ajudar em problemas respiratórios ? A Fisioterapia Respiratória é muito ampla na prática profissional e atua no tratamento de pacientes de todas as idades com distúrbios pulmonares agudos ou crônicos. Pode ser realizada em ambientes hospitalares, no pré e pós operatório de diversas cirurgias, em Unidades de Terapia Intensiva, clínicas particulares, ambulatórios, centro de assistência e reabilitação e até mesmo na casa do paciente quando se fizer necessário. Suas principais metas são: Prevenir o acúmulo de secreções nas vias aéreas, que interfere na respiração normal; Favorecer a eficácia da ventilação; Promover a limpeza e a drenagem das secreções; Melhorar a resistência e a tolerância à fadiga, durante os exercícios e nas atividades da vida diária; Melhorar a efetividade da tosse; Prevenir e corrigir possíveis deformidades posturais, associadas ao distúrbio respiratório; Promover Suporte Ventilatório adequado, bem como sua retirada, em pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva. A Fisioterapia Respiratória tem grande indicação nos casos de pacientes com crises repetidas de asma e bronquite, principalmente se ocorre intensa produção de secreção dentro dos brônquios, situação essa que poderia levar a quadros associados de pneumonia. A asma, também conhecida como bronquite asmática ou bronquite alérgica acompanha-se de uma inflamação crônica dos brônquios e sintomas como: falta de ar, aperto no peito, cansaço, chiados e tosse persistente. Ocorre em cerca de 10% da população brasileira, sendo mais frequente em crianças. A asma e a bronquite causam obstrução brônquica, dificultando a saída do ar de dentro dos pulmões. O papel do fisioterapeuta é justamente fazer a desobstrução brônquica. "Assim que é diagnosticada a asma ou bronquite, é importante que a pessoa procure este especialista para fazer a sua reeducação respiratória, através dos exercícios de relaxamento, postura e o uso do inalador. Isso ameniza muito as crises, diminuindo também a incidência de processos infecciosos pulmonares", explica a fisioterapeuta Dora Veinad Serrano. O fisioterapeuta também tem um papel fundamental no auxílio às pessoas com seqüelas respiratórias causadas por uma forte pneumonia. Nesses casos, pode ocorrer derrame na pleura ("capa"que envolve os pulmões), isto é, um acúmulo de secreção ou água no local. A Fisioterapia Respiratória, através de ventilação e exercícios próprios, chega a atingir 100% de regressão e melhora desse tipo de quadro clínico. Na UTI, a Fisioterapia Respiratória tem um caráter mais dinâmico e objetivos diferentes. Auxilia na manutenção das funções vitais, através da prevenção e/ou tratamento das doenças cardio-pulmonares, circulatórias, reduzindo assim a chance de possíveis complicações e o tempo de ocupação do leito. Cabe também ao fisioterapeuta, na admissão do paciente em UTI, adequar o suporte ventilatório necessário, através da instalação imediata de oxigenoterapia e ventilação mecânica. Asma Apesar de tanto progresso, a asma ainda hoje é uma doença problemática e que pode levar à morte. O conhecimento da doença é uma das chaves para o sucesso terapêutico. A crise na asma varia de pessoa para pessoa, podendo variar num mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida. Pode ser classificada em: Asma leve: Os sintomas são discretos e esporádicos, não prejudicando o sono, não provocando falta às aulas e ao trabalho. Também não atrapalham as atividades físicas. A função pulmonar está normal ou próxima dos valores normais. Asma Moderada: Os sintomas são mais significativos, o paciente apresenta chiados, cansa-se facilmente, tem tosse. Interfere na atividade diária e os sintomas permanecem também durante a noite. A função pulmonar encontra-se alterada em intensidade variável, mesmos nos momentos fora da crise. Asma Grave: Sintomas são intensos, freqüentes e em alguns casos, ocorre nítido prejuízo do sono, interferindo de maneira importante no desempenho das atividades diárias do paciente. As atividades físicas encontram-se limitadas. A função pulmonar está baixa.

in www.servivo.com.br


A Fisioterapia no século XXI e a Geriatria

O segmento que cresce mais rápido é o de pessoas acima de 75 anos. Estes 12% idosos ocupam 33% do tempo do medico e a usam 25% das medicações prescritas. Além disso, são responsáveis por 40% das admissões hospitalares. A previsão para os próximos 20 anos é um aumento de idosos atingindo 18% do total da população, com grande impacto econômico social.

No Brasil, 5,85% da população é maior de 65 anos. No período de 1950 a 2025, o número de idosos no país deverá aumentar em 15 vezes, enquanto o restante da população em 5 vezes (Projeções da Organização Mundial de Saúde, OMS). O país ocupará o 6.° lugar no mundo quanto ao contingente de idosos, alcançando 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, em 2025.

Como decorrência do crescimento da população idosa e do aumento da longevidade, as doenças do aparelho cardiocirculatório continuarão a liderar as estatísticas de letalidade, seguidas pelos cânceres e por outras doenças crônicas, como as do aparelho respiratório, e osteoarticular.

Alia-se a estas mudanças o aumento do tabagismo, apesar das campanhas anti-tabágico, diminuição das atividades físicas diárias, mudança do perfil de dieta (rica em calorias e gorduras) e aumento do estresse. Estes fatos fazem surgir cada vez mais casos de obesidade, dislipidemia (alterações do colesterol e triglicérides), hipertensão arterial sistêmica e aumento de resistência  insulina (componentes da síndrome metabólica). Todos estes fatos juntos predispõe as doenças cardiovasculares.
Este tipo de transição epidemiológica obrigará a readequar os programas de saúde pública, com prioridade para as medidas assistenciais e preventivas para as doenças não transmissíveis, e programas sociais com forte ação na socialização do idoso e seu retorno a vida ativa no mercado de trabalho.

Para cuidarmos dos idosos que as atuais conjunturas populacionais estão criando, necessitamos de profissionalizar os jovens prevendo para as próximas décadas o seu ingresso no futuro contingente de idosos. Pois, como sabemos, o emprego, é um fator determinante por toda a vida adulta, tendo grande impacto sobre a preparação, sob o aspecto financeiro, da pessoa para a velhice.

Papel da fisioterapia

O fisioterapêuta deste século deverá estar preparado para atuar na equipe multi e interdisciplinar, conhecendo os múltiplos aspectos das doenças crônicas e principalmente, das condições bio-psico-sociais dos idosos. O papel preventivo deverá sobrepujar o caráter reabilitatório das fisioterapias atuais. A atuação integrada do fisioterapêuta deverá ser sentida de forma consistente em todos os níveis de atendimento ao idoso. Procurando agir nos ambulatórios e consultórios médicos, evitando-se a hospitalização, que é considerada fator de risco de óbitos por provocar condições que agravam a saúde, como infecções, isolamento social, iatrogenia, entre outras que podem proporcionar perda de independência e autonomia.

Como sabemos os idosos hospitalizados apresentam um declínio físico progressivo e após a alta hospitalar, nem sempre conseguem recuperar o seu desempenho funcional anterior. Cabe ao fisioterapêuta, atuar neste segmento, de forma a minimizar estas “seqüelas” reabilitando o idoso de forma plena no mais breve período de tempo possível.

O fisioterapêuta do século XXI, necessita de conhecimentos a respeito não só da patologia que está sendo tratada, mas também de noções de nutrição, farmacologia, psicologia, filosofia e sociologia. Pois, não raramente será solicitado, pelo paciente, de informações a este respeito. Estas informações, certamente, não virão apenas das cadeiras do curso de fisioterapia, mas do convívio com as equipes que atendem os idosos.

Referência:

CUNHA, U e VEADO MAC- Fratura da extremidade proximal do fêmur em idosos: independência funcional e mortalidade em um ano. Revista de Ortopedia e Traumatologia, junho 2006,VOL 41, NO 6,p.195-199.

MAIA FOM, DUARTE YAO,LEBRAO ML et al Risk factors for mortality among elderly people. Revista Saúde Pública, Dec. 2006, vol.40, no.6, p.1049-1056.
IBGE. Informações estatísticas e geocientíficas. [
on line]

OMS _ Envelhecimento ativo [on line]

in http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/06/13/saude-geriatria/a-fisioterapia-no-seculo-xxi-e-a-geriatria/

 


Reabilitação do Idoso

A reabilitação do idoso deve ser iniciada na fase hospitalar com a deambulação precoce, um componente importante na sua recuperação, pois auxilia o paciente na manutenção do tônus muscular e na mobilidade das articulações. Essa é a oportunidade ideal para ensinar os idosos a fazer exercícios de aquecimento antes das atividades físicas. Ao idoso, é importante a manutenção de sua orientação de tempo e lugar, o que nem sempre é fácil no ambiente de um centro de terapia intensiva. Muitos desses indivíduos têm limitações de audição e de visão, e freqüentemente a melhor terapia na restauração de sua orientação é simplesmente devolver seus óculos e os aparelhos de audição. Atualmente, um número crescente de coronariopatas idosos participa de programas de exercícios de reabilitação, supervisionados ou independentes. À semelhança dos mais jovens, os treinamentos físicos induzem adaptações hemodinâmicas periféricas, com melhoria na extração dos substratos e do oxigênio durante os exercícios, com redução do trabalho cardíaco e elevação do limiar de angina. A reação cardiovascular aos exercícios físicos difere no idoso, devido à redução na resposta à estimulação beta-adrenérgica e à maior dependência ao enchimento diastólico no rendimento cardíaco. A elevação do débito cardíaco não é mediada pelas catecolaminas, que é traduzida pela elevação da freqüência cardíaca. Com o envelhecimento, durante o exercício ocorre acentuada elevação das pressões de enchimento do coração, o que contribui para o aumento do volume sistólico, compensando a redução da complacência cardíaca.

A adaptação fisiológica ao treinamento físico nos idosos é mais bem realizada com exercícios de menor intensidade, com maior freqüência e com duração mais prolongada. A monitorização eletrocardiográfica é indicada somente para grupos de alto risco. Ênfase maior deve ser dedicada ao aquecimento e ao esfriamento mais prolongado. O aquecimento deve preparar eficientemente o idoso para uma atividade musculoesquelética e respiratória durante o esforço. O esfriamento deve permitir a dissipação gradativa da carga térmica subseqüente à vasodilatação periférica, pois, além da menor transpiração no idoso, sua pele é mais ressecada, dissipando mal o calor gerado. A freqüência cardíaca alcançada durante o exercício retorna lentamente aos níveis de repouso, razão pela qual são recomendados intervalos de descanso mais prolongados, ou intercalados tempos mais longos de atividade de baixa intensidade entre os períodos de esforço. A recomendação aos pacientes coronarianos idosos como parte de um programa de reabilitação é iniciar sempre com treinamento aeróbio de baixa intensidade (2 a 3 METs), com incrementos graduais de intensidade e duração, evitando o desconforto e prevenindo outras lesões. Um programa de caminhadas prescrito pode ser ideal para os idosos. Caminhar não exige habilidades, instalações ou equipamentos, e mesmo na velocidade de 3 a 5 km/hora favorece porcentual apreciável de capacidade aeróbia e fornece estímulo de condicionamento suficiente, embora isso não ocorra nos mais jovens. As complicações musculoesqueléticas são substancialmente reduzidas, evitando-se atividades de maior impacto. A intensidade do exercício deve estar entre 60% e 70% da freqüência cardíaca alcançada com segurança, no teste ergométrico prévio, o que torna a reabilitação não-supervisionada mais segura.

Características da atividade física prescrita para os idosos:

- Aquecimento e esfriamento prolongado.

- Maior tempo para a freqüência cardíaca retornar ao nível de repouso.

- Tempo mais prolongado para a obtenção do efeito de treinamento.

- Restrição de atividades de alto impacto (correr e saltar).

- Evitar atividades nos ambientes quentes e úmidos.

Os efeitos benéficos da atividade física nos idosos são múltiplos, entre os quais destacam-se manutenção da mobilidade articular e melhora da coordenação neuromuscular, da flexibilidade, da estabilidade articular e da força muscular, bem como da resistência dos tendões. Esses efeitos reduzem a incidência de quedas, freqüentes nos idosos. A osteoporose, importante problema no envelhecimento, apresenta melhora, pois a atividade provavelmente limita a perda mineral dos ossos. As metas da reabilitação dos idosos são um tanto diferentes da população mais jovem. Nos jovens, a meta principal é o retorno ao trabalho. Nos idosos, é importante preservar a função física, a mobilidade e a auto-suficiência, que contribuem para uma vida autônoma e independente, além de manter a função mental, que inclui o auto-respeito, a auto-imagem e a consciência, participando da limitação da ansiedade e da depressão.

REFERÊNCIAS

Ostfeld AM, Bortnichak E. Classification and prevalence of heart disease in the elderly. In: Luchi RJ, ed. Clinical Geriatric Cardiology. London: Churchill Livingstone, 1989;3. Resnick BM. Rehabilitation is for elderly too. Adv Clin Care 1991;6:43. Wenger NK. Improvement of quality of life in the framework of coronary rehabilitation. In: Pashkow FJ, Dafoe WA, ed. Clinical Cardiac Rehabilitation. Baltimore: Williams & Wilkins, 1993;40. Harris R. Fitness and the aging process. In: Harris R, Frankel L, eds. Guide to Fitness after Fifty. New York: Plenum Press, 1977;3. Harris R. Exercise and physical fitness for the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;87. Wenger NK. Elderly coronary patients. In: Wenger NK, Hellerstein HK, eds. Rehabilitation of the Coronary Patient. New York: Churchill Livingstone, 1992;415.

Autores: Antonio Carlos Leitão de Campos Castro Armando Miguel Junior . Local da realização: Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-Campinas-2003

in http://www.saudegeriatrica.com.br/conteudo.php?pagina=mate3