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 GIPEE - Intervenção Psicomotora


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Ergonomia

Ergonomia

Os novos modos de produção, condicionados por sucessivas mutações (demográficas, económicas, tecnológicas, de organização social) vieram tornar cada vez mais interdependentes:

· as condições de execução do trabalho;

· e a condição do trabalhador.

Assim, a vocação da Ergonomia evoluiu e ao longo das últimas cinco décadas tem sido objecto de reflexão e de debate.

Até aos anos 70, a intervenção ergonómica centrava-se sobre o trabalho penoso, o trabalho nocivo, características da maioria das situações industriais.

A partir da década de 70, com a evolução tecnológica e, consequentemente, das condições de trabalho, tem-se vindo a observar uma profunda alteração das exigências do trabalho.

Este período (a partir dos anos 70), pode considerar-se marcado essencialmente por três tipos de evolução:

 

  • uma evolução técnica;

     

  • uma evolução da organização do trabalho;

     

  • uma evolução do pessoal.

    A evolução técnica é caracterizada:

     
    • pela maior eficiência das máquinas,
     
    • pela miniaturização de certos produtos;
     
    • por uma informatização cada vez mais difundida;
     
    • por uma automatização.

    Estes aspectos estão cada vez mais presentes em certos ramos da indústria, mas também, em muitos outros sectores de actividade.

    Quanto à evolução da organização do trabalho podemos dizer que ela se verificou essencialmente a partir de:

    • novas modalidades de repartição de tarefas, criando exigências notáveis devido ao carácter parcelar destas e á frequente sujeição a ritmos de funcionamento técnico.

    No que respeita à evolução do pessoal, pode dizer-se que foi essencialmente marcada:

    • pelo prolongamento da escolaridade;
    • pela formação técnica e profissional;

    o que conduziu naturalmente

    • a diferentes expectativas em relação ao trabalho;
    • e a uma inadequação dos modelos de gestão tradicionais.

    Sintetizando, pode dizer-se que este desenvolvimento provocou, inevitavelmente, uma alteração na paisagem laboral, verificando-se:

    • Uma imposição da mecanização, desencadeando novos agentes agressores frequentemente presentes nos locais de trabalho.
     
    • Uma progressiva abolição do trabalho físico dinâmico (através das ajudas mecânicas, o que acarretou, em certa medida, uma degradação biológica do Homem).
     
    • Uma implementação de um trabalho estático, prolongado, utilizando pequenos grupos musculares, geralmente numa posição fixa, com um ritmo de trabalho intenso e requerendo, por vezes, um elevado grau de precisão.

    Assim, estas alterações da natureza do trabalho vieram provocar um número de problemas de ordem vária, que têm vindo a aumentar com implicações para o indivíduo, na sua vida profissional e social, assim como no sistema produtivo.

    A nível dos operadores estas consequências reflectem-se, normalmente, no seu estado de saúde, não só no que respeita às já consideradas doenças profissionais, mas a tantas outras identificadas com a situação de trabalho.

    A nível do sistema produtivo, estas consequências podem ser objectivadas:

    • pelo aumento do absentismo;
    • pelo aumento do número de acidentes;
    • pela necessidade de recolocação profissional;

    e, consequentemente,

    • Pela diminuição da produtividade, do ponto de vista qualitativo e quantitativo.

    in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html

 


Evolução Histórica

O termo Ergonomia, deriva do grego,' "ERGON", que significa Trabalho e "NOMOS" que significa Leis ou Regras, atribuindo-se a sua denominação a MURREL, um Engenheiro inglês, no ano de 1949.

De facto, a Ergonomia procura optimizar as condições de trabalho, segundo critérios de eficiência, conforto e segurança.

Evolução histórica da Ergonomia

A Ergonomia como disciplina, teve as suas origens na Segunda Guerra Mundial, mais propriamente em 1949, quando falharam as formas tradicionais de resolução do conflito entre homens e máquinas - a selecção e o treino.

Foi nessa época, que se evidenciam as incompatibilidades entre o progresso humano e o progresso técnico. Os equipamentos militares exigiam dos operadores, decisões rápidas e execução de actividades novas (aviões mais velozes, radares e submarinos) em condições críticas, o que implicava complexidade e riscos de decisão.

A guerra solicitou e produziu máquinas novas e complexas, inovações essas, que não corresponderam ao que delas se desejava porque, na sua concepção, não foram tomadas em consideração, as características e as capacidades humanas.

Surgiu, então, a necessidade do aparecimento de uma nova ciência, a Ergonomia.

Tal como nos diz Chapanis, na sua importante lição sobre Engenharia, "as máquinas não lutam sozinhas".

Por exemplo, o radar foi chamado "o olho da armada"; mas o radar não vê. Por mais rápido e preciso que seja, será quase inútil, se o operador não puder interpretar as informações apresentadas no écran e decidir a tempo. Similarmente um avião de caça, por mais veloz e eficaz que seja, será um fracasso se o piloto não puder pilotá-lo com rapidez, segurança e eficiência. Cabe ao ser humano avaliar a informação, decidir e agir.

Foi, pois, nos meios militares britânicos, que a Ergonomia teve o seu grande incremento, com a criação de um grupo de estudos sobre a capacidade produtiva dos trabalhadores nas fábricas de munições (Health of Munitions Workers Committee).

Vivia-se um momento dúbio: por um lado, existia uma grande necessidade de aumentar a produção de armas e de munições; por outro, existia uma escassa mão-de-obra, pelo facto da maior parte do operariado se encontrar na guerra.

A partir do início da década de 50, com a criação, em Inglaterra, da Ergonomics Research Society, a Ergonomia começou a sua expansão no mundo industrializado, desenvolvendo-se, assim, o interesse pelos problemas inerentes ao trabalho humano.

Entre 1960 e 1980 assistiu-se a um rápido crescimento e expansão da Ergonomia para além das fronteiras militares, pois o meio industrial tomou consciência da importância da Ergonomia na concepção dos produtos e dos sistemas de trabalho (equipamentos, ferramentas, ambiente físico, ambiente químico, organização do trabalho, etc.).

Mais tarde, a Ergonomia foi aplicada com o objectivo de optimizar o trabalho humano.

Os primeiros estudos centraram-se no aperfeiçoamento das máquinas, às quais os trabalhadores se tinham de adaptar, algumas vezes à custa de uma longa e difícil aprendizagem.

No entanto, com o aumento da complexidade e dos custos das máquinas, e simultaneamente, com a imposição do valor da vida humana, surgiu a preocupação de:

  • conceber máquinas adaptadas ao homem;
  • criar condições de realização do trabalho mais adaptadas às características humanas, do ponto de vista antropométrico, biomecânico, fisiológico, psicológico, de formação, de competência, etc.

Nesta evolução, alguns países europeus fundaram a Associação Internacional de Ergonomia, para congregar as várias Sociedades de Factores Humanos e de Ergonomia que foram surgindo.

A Ergonomia continuou a crescer a partir dos anos 80, particularmente, devido às novas tecnologias informatizadas.

A tecnologia informatizada propiciou novos desafios à Ergonomia. Os novos dispositivos de controlo, a apresentação de informação por écran e, sobretudo, o impacto da nova tecnologia sobre o homem, constituem áreas de análise e de intervenção para o ergonomista, sobre as quais iremos falar nas próximas aulas.

O papel do profissional de Ergonomia nas indústrias nucleares e de controlo de processos, cresceu após os acidentes de Three Mile Island, nos Estados Unidos, e de Bhopal, na Índia.

Em Portugal, por esta altura, a Ergonomia é ainda praticamente inexistente. No entanto, as necessidades sociais criadas com a integração europeia e o cumprimento das normas comunitárias relativamente à regulamentação do trabalho e das suas condições ambientais, provocou uma certa inquietação para o desenvolvimento da formação nesta área.

Basta recordar o 1º parágrafo do Decreto-Lei nº 441/91: "A realização pessoal e profissional encontra na qualidade de vida do trabalho, particularmente a que é favorecida pelas condições de segurança, higiene e saúde, uma matriz fundamental para o seu desenvolvimento", para se perceber que, sem a implementação de uma prática ergonómica, esta qualidade de vida no trabalho, dificilmente será alcançada.

Numa perspectiva histórica, consideram-se três pontos fundamentais na evolução da Ergonomia:

  • Um primeiro, em que o estudo se centrava sobre a máquina, à qual o trabalhador se tinha de adaptar. Procurava-se seleccionar e formar o operador de acordo com as exigências e características das máquinas, ainda que por vezes, à custa de uma longa e difícil aprendizagem.

    · Um segundo, em que, face aos problemas levantados pelos erros humanos, o estudo começou a centrar-se no Homem. Procurava-se uma modificação das máquinas, tendo em consideração os limites próprios do Homem.

  •  

    • Um terceiro, ou seja, o actual, em que se considera a análise do Sistema Homem – Máquina, ou mais correctamente, Homem – Trabalho.

    Em Portugal, a Ergonomia surgiu no ano de 1987, com a introdução de um curso no Instituto Superior de Educação Física (ISEF), a actual Faculdade de Motricidade Humana.

    in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html


    Conceitos de Ergonomia

    Muitos são os conceitos de Ergonomia já publicados. Passando em revista várias definições, é possível admitir que a Ergonomia engloba um conjunto de actividades que tendem a adaptar o trabalho ao Homem, consistindo essa adaptação, numa optimização do Sistema Homem - Trabalho.

    Eis uma pequena revisão da literatura:

    • "A Ergonomia é um conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao Homem e necessários para conceber os utensílios, as máquinas e os dispositivos que possam ser utilizados com o máximo conforto, segurança e eficácia" (WISNER);
    • "A Ergonomia é uma ciência interdisciplinar que compreende a psicologia do trabalho, a antropologia e a sociologia do trabalho. O alvo prático da Ergonomia é a adaptação do posto de trabalho, dos utensílios, das máquinas, dos horários e do meio ambiente às exigências do Homem. A realização dos seus alvos a nível industrial, dá lugar a uma facilitação do trabalho e a um aumento do rendimento do esforço humano" (GRANDJEAN);
    • "A Ergonomia é uma disciplina científica que estuda o funcionamento do homem em actividade profissional" (A. LAVILLE);
    • "A Ergonomia é uma tecnologia que agrupa e organiza os conhecimentos de modo a torná-los úteis para a concepção dos meios de trabalho" (A. LAVILLE);
    • "A Ergonomia é uma arte quando trata de aplicar os conhecimentos para a transformação de uma realidade existente ou para a concepção de uma realidade futura" (A. LAVILLE);
    • "A Ergonomia é entendida como o domínio científico e tecnológico interdisciplinar que se ocupa da optimização das condições de trabalho visando de forma integrada, a saúde e o bem estar do trabalhador e o aumento da produtividade" (Departamento de Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana).

    Para terminar, são referidos, ainda, os conceitos ditados por duas grandes organizações de renome internacional:

    ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE: "A Ergonomia é uma ciência que visa o máximo rendimento, reduzindo os riscos do erro humano ao mínimo, ao mesmo tempo que trata de diminuir, dentro do possível, os perigos para o trabalhador. Estas funções são realizadas com a ajuda de métodos científicos e tendo em conta, simultaneamente, as possibilidades e as limitações humanas devido à anatomia, fisiologia e psicologia".

    ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE TRABALHO: "A Ergonomia consiste na aplicação das ciências biológicas do Homem em conjunto com as ciências de engenharia, para alcançar a adaptação do homem com o seu trabalho medindo-se os seus efeitos em torno da eficiência e do bem estar para o Homem".

    in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html


    Principais Correntes

    Os debates e as reflexões a que se tem vindo a assistir nos últimos 20-30 anos, conduziram à preocupação da complementaridade dos fundamentos das duas principais correntes em Ergonomia.

    Na opinião de Montmolin, a primeira corrente, a mais antiga, a Anglo-Saxónica considera a Ergonomia como a utilização de algumas ciências para melhorar as condições de trabalho humano.

    A título de exemplo, a Anatomia e a Fisiologia permitem conceber assentos, écrans e horários mais adaptados ao organismo humano e a Psicologia permite, por exemplo, uma melhor apresentação das informações.

    Esta corrente orienta a Ergonomia para a concepção de dispositivos técnicos (máquinas, utensílios, postos de trabalho, ecrãs, impressoras, programas, etc.)

    A segunda corrente, a mais recente, a Europeia, considera a Ergonomia como o estudo específico do trabalho humano com vista a melhorá-lo.

    Sem querer pretender constituir uma "Ciência do Trabalho", completamente autónoma, a Ergonomia reivindica, no entanto, a autonomia dos seus métodos.

    Nesta perspectiva, a Ergonomia preocupar-se-á menos com o assento ou com o ecrã isolado do que com o conjunto da situação de trabalho e do trabalhador em questão.

    Nesta perspectiva, a sua fadiga e os seus erros só podem ser realmente explicados e minorados se a sua tarefa particular e a forma como ela é realizada (a sua actividade) forem analisadas pormenorizadamente nos seus locais específicos.

    Ergonomia está pois, nesta corrente orientada essencialmente para a organização do trabalho, levantando questões como, por exemplo:

    Quem faz? O que faz? Como faz? Como poderia fazer? Etc.

     

    Em síntese, podemos dizer que a corrente Americana centra-se sobre o factor humano, considerando o Homem como uma componente do sistema de trabalho e que a corrente Europeia centra-se sobre a actividade humana, considerando o Homem como um actor do sistema de trabalho.

    in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html


     

    Classificação em Ergonomia

    Numa empresa ou organização, em que a competitividade e a força do mercado onde esta opera, são parâmetros fundamentais de Gestão, a Ergonomia é uma das as áreas de formação passíveis de lhe acrescentar valor.

    Assim, modalidades de intervenção ergonómica serão diferentes, em termos de objecto, objectivo, contexto e dimensão da intervenção.

    É Objecto

    No que respeita ao objecto de intervenção, podemos distinguir:

    • a Ergonomia de Produção;
    • a Ergonomia do Produto.

    A Ergonomia da Produção está vocacionada para a procura das condições de trabalho adequadas, em termos organizacionais, de posto e ambiente de trabalho, adaptados às características e capacidades dos trabalhadores.

    A Ergonomia do Produto, centra-se na área de estudos e pesquisas, colaborando com o sector comercial, em estudos de mercado; com o sector de produção, na avaliação dos custos da produção e na definição da sua finalidade; e com outros sectores da concepção do produto, desde o "design" ao controlo da qualidade.

    É Objectivo

    Quanto ao objectivo, fala-se em:

    •  
    • Ergonomia de Concepção,
    •  
    • Ergonomia de Correcção.

    A Ergonomia de Concepção permite agir desde a fase inicial, sobre um produto ou posto de trabalho, criando condições de trabalho adaptadas e perspectivadas no sentido da eficácia, da segurança e do conforto.

    A Ergonomia de Correcção dá resposta às inadaptações, que se traduzem por problemas na segurança e no conforto dos trabalhadores, ou na qualidade e quantidade da produção.

    É Contexto

    Seja qual for o objecto ou o objectivo, a intervenção ergonómica desenvolve-se nos mais variados contextos, tais como: industrias, hospitais, escolas, transportes, construção e obras públicas, etc.

    É  Dimensão

    Numa perspectiva de dimensão da intervenção, podemos classificar a Ergonomia em Macro, Meso e Micro:

    • A Macro-Ergonomia considera o sistema integral Homem-Máquina, ou seja, uma organização cujas componentes são os Homens e as Máquinas, trabalhando em conjunto para alcançar um fim comum, estando ligadas por uma rede de comunicações;

     

    • A Meso-Ergonomia centra-se sobre um utensílio ou uma máquina, estudando a interdependência entre os dispositivos metrológicos e os indicadores, as alavancas de comando e de regulação, assim como, a sua disposição em função da velocidade e da sucessão das operações;

     

    • A Micro-Ergonomia estuda os diversos elementos específicos de uma situação de trabalho, tais como, a insonorização de uma máquina, a iluminação de uma sala de trabalho informatizado, etc.

    Deste modo, a Ergonomia tem uma acção concreta sobre melhoria das condições de trabalho em geral, promovendo a saúde do trabalhador. Contribuindo para a diminuição de absentismos por acidentes de trabalho e doenças profissionais, a Ergonomia procura manter e/ou aumentar a qualidade e, consequentemente, a produtividade.

    A Ergonomia no Trabalho

    A Ergonomia é uma disciplina que fundamenta a sua acção numa perspectiva científica do trabalho humano. Pelos seus métodos, a Ergonomia permite uma outra inteligibilidade do funcionamento dos sistemas produtivos, a partir da compreensão de toda a actividade de trabalho do homem. Para tal, torna-se imperioso o conhecimento do funcionamento humano, nos diversos planos.

     

    1.  
    2. Tarefa e Actividade

    Numa situação de trabalho, há que distinguir o conceito de tarefa e de actividade.

    A tarefa ou trabalho prescrito abrange tudo o que, na organização, define o trabalho de cada operador, ou seja:

    • os objectivos a atingir em contrapartida da remuneração;
    • a maneira de os atingir, as indicações e os procedimentos impostos;
    • os meios técnicos colocados à disposição (instrumentos, máquinas, ferramentas);
    • a repartição das tarefas entre os diferentes trabalhadores;
    • as condições temporais do trabalho (horários, duração, pausas);
    • as condições sociais (qualificação, salário);
    • o envolvimento físico do trabalho.

    Quer a empresa seja de grande ou de pequena dimensão, existe sempre uma parte implícita, um trabalho esperado, do qual os responsáveis e os trabalhadores têm a sua própria representação.

    Sendo a tarefa uma prescrição, um quadro formal, é o trabalho real dos trabalhadores ou actividade, que permite a produção.

    De uma maneira mais simplificada diz-se que, a actividade se refere às condutas e comportamentos dos trabalhadores, na execução de uma determinada tarefa.

    Em todos os planos definidos pela organização do trabalho, manifestam-se diferenças entre o prescrito e o real, pois o trabalho real dos trabalhadores nunca é o puro reflexo da tarefa, nem uma mera execução.

     

    A distinção entre tarefa e actividade é importante, na medida em que:

    • põe em evidência as falhas de organização;
    • ajuda a hierarquizar os constrangimentos da situação de trabalho;
    • permite explicar as relações entre as condições internas (inerentes ao trabalhador) e as condições externas (respeitantes ao envolvimento de trabalho);
    • ajuda a compreender as consequências sobre a saúde.

    Prática Ergonómica

    Considerando:

    · que em Ergonomia o homem que trabalha não é um simples executante, mas um operador, na medida em que gere as suas dificuldades, aprende, actuando, adapta o seu comportamento às variações do seu estado interno e dos elementos da situação de trabalho, decide quais as melhores maneiras de proceder, adquire habilidades específicas para melhorar a eficácia, enfim, opera.

    · que a actividade real de trabalho desenvolvida pelo operador difere sempre da tarefa prescrita pela organização do trabalho, pois não é uma simples resposta a um estímulo, mas a expressão de um saber e de uma vivência profissional, que é o resultado de uma história individual e colectiva e se inscreve num determinado contexto sócio-económico.

    • que a compreensão da actividade de trabalho como uma experiência particular da relação do homem com o seu envolvimento impõe um método próprio dirigido à relação das condicionantes "externas" da actividade do trabalhador com a realidade do seu próprio Corpo entendido como sede original da capacidade produtiva e da auto-estima na segurança e conforto no trabalho.

     

    • que em Ergonomia não se pode fazer um diagnóstico à distancia baseado em sintomas descritos e em resultados de análise, mas deve observar-se o operador em actividade, ouvi-lo, analisar elementos da situação de trabalho, interpretar resultados, fazer um diagnóstico para estudar as transformações necessárias.
  • que a transformação de uma situação de trabalho não pode consistir numa aplicação directa dos conhecimentos científicos gerais relativos ao homem, sem que antes sejam confrontados com a especificidade de cada situação.
    • que a compreensão da actividade real de trabalho é o verdadeiro fundamento da acção ergonómica.

    Distinguimos na prática da Ergonomia duas fases: uma primeira, chamada de ANÁLISE ERGONÕMICA e, a segunda, denominada de INTERVENÇAO ERGONÓMICA, entendendo-se que:

    • Análise Ergonómica consiste na identificação e compreensão das relações existentes entre as condições organizacionais técnicas, sociais e humanas que determinam a actividade de trabalho e os efeitos desta sobre o operador e o sistema produtivo.
    1. Intervenção Ergonómica consiste na operacionaIização de planos de acção resultantes da análise ergonómica. Pode situar-se a diferentes domínios de actuação: concepção e/ou reformulação, formação profissional, higiene, segurança e saúde ocupacional.

    Deve-se pois:

    • COMPREENDER O TRABALHO, entendido como expressão da actividade humana, ou seja, como algo que põe em jogo capacidades físicas, psicológicas, de competência, de experiência,…
    1.  TRANSFORMAR O TRABALHO a partir da concepção de um projecto centrado sobre o Homem no Trabalho, com vista a proporcionar-lhe conforto, segurança e bem estar mas, ao mesmo tempo, favorecer a eficácia e a produtividade.

    Análise e Intervenção Ergonómica

    Importa, pois, começar por entender o que é Análise do Trabalho.

    Definir Análise do Trabalho não é tarefa fácil. Uma reflexão sobre à análise do trabalho não deve fazer-se sem uma atenção especial sobre o entendimento do objecto desta análise - o trabalho.

    O conceito de trabalho assume pontos de vista diferentes, dentro e fora da empresa.

    O economista falará do resultado do trabalho em termos do valor produzido. O sociólogo verá no trabalho, as normas e os valores sociais e concentrar-se-á nas relações entre os operadores. O representante sindical, reportar-se-á a "uma situação vivida", global, donde emergem as necessidades dos trabalhadores.

    Apercebemo-nos, assim, que o termo "trabalho" designa, quer o resultado de uma acção, quer as condições de realização, quer ainda, a função ou a actividade do operador que a realiza e neste sentido, admite-se que existam traços típicos de análise do trabalho, bem como, modalidades várias.

    Sendo objectivo da Ergonomia, conceber situações de trabalho adaptadas às características dos operadores, ao trabalho que lhe é confiado e às condições em que o trabalho é realizado, a análise ergonómica do trabalho tem como objecto, o estudo das exigências e das condições de trabalho, das atitudes e das sequências operatórias que emergem aquando da realização de uma determinada tarefa.

    A título de exemplo, a análise psicológica visa, essencialmente, analisar os mecanismos da actividade (preceptivos, sensório-motores e cognitivos) presentes na situação de trabalho, enquanto a análise ergonómica visa analisar a situação de trabalho no sentido de a transformar, sendo a Psicologia uma das suas dimensões mas não, necessariamente, a principal.

    A análise ergonómica ao procurar dar resposta a questões fundamentais, como "qual o trabalho a executar?", "como é que o operador executa o trabalho?", afasta-se da análise tradicional do trabalho, dado que esta se limita a enumerar o que o operador deveria fazer e não o que o operador faz, isto é, considera apenas o trabalho prescrito e não o trabalho real, podendo esta diferença ser essencial para a transformação de uma determinada situação de trabalho.

    A análise ergonómica reside, então, numa análise realista do trabalho, efectuada momento a momento sobre o terreno, partindo das exigências do trabalho, sendo esta, a única forma de melhorar as verdadeiras causas de desadaptação, nomeadamente, da carga de trabalho suportada pelo indivíduo.

    Este tipo de análise distingue-se das que só consideram os dados relativos ao trabalho prescrito e dos que contemplam apenas as declarações dos agentes do trabalho.

    Uma análise ergonómica do trabalho não poderá, de modo algum restringir-se a estes dados, mas integrá-los numa análise mais ampla da actividade.

    É neste sentido que falamos em Análise do Trabalho, como Método de Análise Ergonómica do Trabalho formalizado em 1955 por Ombredane e Faverge.

    Actualmente, diz-se que a Análise do Trabalho caracteriza a Ergonomia, porque constitui uma etapa indispensável para todo o estudo ergonómico e toda a intervenção ergonómica.

    Segundo alguns autores, a Análise do Trabalho confronta uma dupla perspectiva, a do "quê" e a do "como". Refere ainda que, considerando a evolução da organização do trabalho importa ainda saber, "quem faz?" e "quem faz o quê?".

    Diz-nos que a Análise do Trabalho se fixa sobre duas abordagens complementares a da Tarefa e a da Actividade.

    TAREFA indica o que é para fazer; evoca a ideia de obrigação: "um objectivo a alcançar em condições determinadas"; é o trabalho prescrito.

    ACTIVIDADE indica o que realmente é feito por um operador para executar uma tarefa precisa num dado momento. A actividade reporta-se portanto às condutas, aos processos operatórios do indivíduo, ou seja ao trabalho real.

    Entre uma e outra há, invariavelmente diferenças, por vezes profundas e que são reveladas pela análise da actividade. Mas porque a primeira condiciona a segunda, a análise da diferença torna-se extremamente importante.

    Neste sentido, que esta análise permite:

    • Pôr em evidência as falhas da Organização
    • Ajuda a hierarquizar os constrangimentos da situação de trabalho
    • Explicar as relações entre as condições internas e externas
    • Ajuda a compreender as consequências sobre a saúde

    Podemos sintetizar dizendo que a Análise do Trabalho comporta sempre, em paralelo:

    • uma descrição da Tarefa
    • uma descrição da Actividade

    Neste sentido a actividade de trabalho constitui o elemento central organizador e estruturante das duas componentes implicadas na situação de trabalho:

  • · por um lado, os operadores, com as suas características próprias, no momento em que realizam a actividade ou seja, a idade, o sexo, o seu estado de saúde do ponto de vista físico e psíquico, a formação, experiência, competência, etc.
  • · por outro, a empresa, que define:

    - o espaço de trabalho: dimensões do posto de trabalho, áreas de deslocamento.

    - as características dos meios materiais de trabalho: dimensões, manuseamento das ferramentas, das máquinas, dos comandos, modalidade de apresentação das informações.

    - as características dos objectos de trabalho: documentos, peças a montar, a transformar.

    - os ambientes físicos: iluminação, ruído, vibrações, calor ou frio, poeiras.

    - imposições temporais: horários e duração do trabalho, rendimento.

    - a organização do trabalho: repartição das tarefas, ordens operatórias.

    - os sinais a respeitar para assegurar a segurança, a qualidade e a quantidade de produção.

    Domínios de Análise e Intervenção Ergonómica

    Neste capítulo pretende-se revelar um pouco de como e onde o Ergonomista tem a sua acção, consistindo esta acção ergonómica em colocar à disposição dos orgãos de gestão uma informação precisa e operacional sobre a realidade de trabalho para que, desta forma, todas as decisões organizacionais, técnicas, sociais e humanas visem alcançar eficiente e eficazmente os objectivos definidos.

    Como principais domínios da análise ergonómica referiremos:

    1. Actividade de Trabalho
    2. Efeitos sobre o Operador e o Sistema Sócio-Técnico

    Actividade de Trabalho

    Com base nestes dados, os domínios da análise ergonómica são centrados na actividade de trabalho humano, permitindo identificar, descrever e quantificar os comportamentos observáveis, nomeadamente:

    • acções exercidas directamente sobre o objecto de trabalho e/ou dispositivos técnicos;
    • a comunicação interpessoal;
    • os deslocamentos no envolvimento de trabalho;
    • a recolha de informação directamente sobre o objecto de trabalho e/ou dispositivos técnicos;
    • as posturas de trabalho;

    Desta forma, a Análise Ergonómica da actividade identifica as funções sensoriais, motoras e cognitivas subjacentes aos comportamentos observáveis.

    1.  
    2. - Efeitos sobre o Operador e o Sistema Sócio-Técnico

    Para além de uma análise centrada no estudo e compreensão da Actividade de Trabalho, é igualmente oportuna uma análise sobre os Efeitos desta Actividade no Homem e no Sistema Socio-técnico que o envolve.

    Nesta análise, os dados técnicos a recolher referem-se a:

    Ao operador

    • Saúde e capacidade funcional
    • Erros e omissões
    • Lesões decorrentes de acidentes de trabalho
    • Carga de trabalho
    • Competência
    • Satisfação e motivação

    Aos elementos técnicos

    • Manifestação de disfuncionamentos ao nível técnico
    • Eficiência

    Ao sistema sócio-técnico

    • Cultura organizacional
    • Produtividade
    • Qualidade
    • Acidentes de trabalho
    • Segurança
    • Inovação e flexibilidade

    Concretamente sobre o Operador, é necessária a recolha de dados relativos a:

    • características pessoais (físicas, sensoriais, motoras, cognitivas, etc.) e biográficas
    • competência (formação base, experiência e formação profissionais, criatividade e iniciativa, etc.)
    • estado funcional momentâneo (fadiga, ritmos biológicos, etc.)
    • aspectos relevantes da vida extra-profissional (organização do tempo extra-profissional, tempo gasto nos transportes de e para o local de trabalho, etc.)

    No que se refere à recolha de elementos relativos ao Sistema Socio-Técnico, é importante conhecer:

    • o objectivo das tarefas (performances exigidas, normas de produção, resultados visados, etc.)
    • as exigências da situação (físicas, sensoriais, motoras, cognitivas…)
    • os meios técnicos disponíveis (máquinas, ferramentas, suportes de informação, normas…)
    • os procedimentos ou modos operatórios prescritos (forma como o operador deve atingir os objectivos definidos)
    • as condições temporais (horário, pausas e ritmos de trabalho, flutuações temporais,…)
    • meios humanos e condições sociais (estrutura organizacional, políticas sociais, avaliação de desempenho, plano de carreiras, cultura organizacional...)

    Tendo por base a recolha e análise ergonómica de todos os elementos anteriormente referenciados, estamos em posição de avançar para uma "transformação do trabalho", isto é, a chamada Intervenção Ergonómica.

    A Intervenção Ergonómica consiste na operacionaIização de planos de acção resultantes da Análise Ergonómica, podendo situar-se nos seguintes domínios de actuação: concepção e/ou reformulação, formação profissional, higiene, segurança e saúde ocupacional.

    Como principais domínios da Intervenção Ergonómica referiremos:

    1. Concepção e Reformulação
    2. Formação Profissional
    3. Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional

    1.Concepção ou Reformulação

    Um dos domínios em que se poderá centrar a Intervenção Ergonómica é na Concepção ou Reformulação de situações de trabalho, como seja:

    • Fornecendo informações sobre novos cenários da actividade de trabalho;
    • Participando na concepção de produtos, serviços e/ou sistemas produtivos ao nível:
    • Forma, dimensão, disposição, acessibilidade, funcionalidade e inteligibilidade;
    • Dos suportes informacionais e respectivos fluxos de informação.
    • Optimizando, sob o ponto de vista ergonómico, o interface operador/sistema técnico;
    • Desenvolvendo e implementando as especificações ergonómicas nos produtos e/ou serviços, tendo em vista a satisfação das necessidades dos utilizadores/clientes alvo;
    • Colaborando na implementação de novas formas de organização do trabalho.

    2.Formação Profissional

    Outro nível de Intervenção Ergonómica, e não menos importante, é a Formação Profissional.

    Neste domínio, a Intervenção Ergonómica visa desenvolver, implementar e avaliar programas de formação centrados:

    • na compreensão do funcionamento do sistema sócio-técnico;
    • na utilização segura e eficiente dos materiais, ferramentas e máquinas;
    • na adaptação à utilização de novas tecnologias;
    • na adaptação aos postos de trabalho dos colaboradores com "handicaps" ou dificuldades;

    Ainda neste domínio, promove acções de formação visando a sensibilidade para a Análise e Intervenção Ergonómicas.

     

    3.Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional

    Tendo por base toda a avaliação realizada, quer sobre as variáveis que influenciam a situação de trabalho e do correspondente impacto na Saúde e Bem-Estar do trabalhador, quer sobre a própria Actividade de Trabalho, no domínio da Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional, a Intervenção Ergonómica visa:

    • desenvolver estratégias de melhoria das condições de trabalho;
    • definir e divulgar critérios e acções para o desenvolvimento da educação sanitária e de uma atitude de prevenção;
    • promover a aplicação de normas relativas à higiene, segurança e saúde ocupacional;
    • projectar alterações tendentes a melhorar o funcionamento do sistema organizacional no âmbito da higiene, segurança e saúde ocupacional.

    Postura e Força

    Quando é exigido algum esforço, na realização de uma tarefa, o trabalhador tende a adoptar uma determinada postura, que pode não ser a mais adequada.

    Em trabalho ou em repouso, o corpo pode assumir três posturas básicas:

    • deitado;
    • sentado;
    • de pé.

    Interessa-nos, pois, as posturas geralmente adoptadas em situação de trabalho.

    Definimos postura como sendo a posição e orientação dos segmentos corporais no espaço.

    A postura está, então, dependente da força, sendo esta, o resultado de um conjunto de contracções musculares que se realizam, no sentido de executar uma acção.

    Um trabalho que obriga uma pessoa a assumir a postura de pé durante todo o dia, exige grandes esforços, principalmente das pernas, que incham.

    Os trabalhos que requerem uma grande força muscular, mobilidade e um grande alcance, devem muitas vezes, ser executados de pé.

    De seguida, são indicados alguns procedimentos a considerar, quando se trabalha de pé:

    • devem ser evitadas todas as inclinações do corpo, pois a manutenção destas posturas, implica grandes esforços ao nível dos músculos das pernas, da coluna e dos ombros. Os músculos da coluna ficam em tensão e quando a pessoa se endireita, sente-se rígida e endurecida;
    • a altura da superfície de trabalho, deve ser ajustada à altura do trabalhador, de modo a estar ao nível dos cotovelos, quando se está direito, de pé e com os ombros descontraídos;
    • deve-se poder estar parado e direito, em frente e perto da superfície sobre a qual se trabalha e com o peso do próprio corpo, igualmente distribuído sobre os pés. Deve haver espaço suficiente para as pernas ou pés;
    • a natureza especial de um trabalho, pode obrigar a mudar a altura do plano de trabalho;
    • os controlos e outros objectos necessários à realização do trabalho, devem encontrar-se a uma altura inferior à dos ombros;
    • se possível, o trabalhador deve ter a possibilidade de alternar entre a postura de pé e sentado;
    • se o trabalho se faz parcialmente sentado, deve-se poder dispor de uma cadeira móvel ou equivalente;
    • a superfície sobre a qual o trabalhador permanece de pé, deve ser adequada às condições de trabalho;
    • sapatos adequados diminuem os esforços ao nível das pernas e coluna lombar.

    Os trabalhos que não requerem grandes esforços musculares e que se podem executar dentro de uma área limitada, devem ser feito na postura de sentado. A área de trabalho deve estar ao alcance, sem haver necessidade de fazer esforços excessivos.

    Para trabalhar sentado numa posição correcta, deve haver possibilidade de estar sentado direito, em frente e perto do local em que se realiza o trabalho. A mesa e a cadeira de trabalho, devem ser desenhadas, de modo que a superfície sobre a qual se trabalha, fique ao nível dos cotovelos, quando a pessoa está sentada, com o tronco direito e ombros descontraídos.

    Quando se faz um trabalho de precisão, deve haver um apoio ajustável para os cotovelos, antebraços ou mãos.

    Os princípios fundamentais da postura de sentado, são:

    • o tronco, a cabeça e os membros devem estar numa posição natural e relaxada, devendo ser evitada a cifose da coluna lombar;
    • as frequentes alterações de posição, são importantes na prevenção da fadiga;
    • a superfície de apoio deve ser ampla, para que seja mínima a pressão por unidade de superfície;
    • a altura do assento deve ser ligeiramente inferior ao comprimento da perna, estando o pé completamente apoiado no solo e o joelho flectido num ângulo recto; a profundidade do assento deve ser tal, que o seu bordo não exerça pressão contra a parte posterior do joelho;
    • as cadeiras devem ter um encosto que proporcione um apoio à região lombar, permitindo o relaxamento da musculatura lombar;
    • os cotovelos do indivíduo que trabalha sentado, devem ter, com a sua mesa de trabalho, a mesma relação que haveria se estivesse de pé. A altura do plano de trabalho, varia de acordo com a pressão que precisa de ser exercida.

    Manipulação e Transporte de Cargas

    No dia-a-dia, são vulgares as situações de transporte e/ou levantamento de cargas, seja em contexto industrial, de comércio, de serviços ou mesmo no domicílio.

    As situações de manipulação e transporte de cargas podem trazer consequências graves na saúde e segurança dos indivíduos, se os mesmos não tiverem cuidados especiais quando estão a manipular e/ou transportar cargas. Aliás, esta tem sido uma das mais frequentes causas de acidentes e de doenças profissionais. Daí que, é um problema que merece grande atenção.

    É do conhecimento geral que o levantamento e o transporte manual de cargas devem ser evitados e realizados por equipamentos mecânicos. Se isso não for possível, várias pessoas devem trabalhar em conjunto, sendo importante que todas elas utilizem os métodos correctos de levantamento.

    A penosidade das tarefas de manipulação de cargas está dependente de vários factores, como:

    • O peso da carga;
    • O volume e forma da carga;
    • A existência ou não de pegas;
    • A localização da carga;
    • A postura adoptada;
    • A técnica de manipulação adoptada;
    • A frequência de ocorrência;
    • O tempo dedicado a esta tarefa;
    • As condições fisiológicas do(s) operador(es).

    Relativamente à manipulação de cargas, as situações de trabalho podem ser classificadas em dois tipos:

    Manipulação Esporádica, quando está relacionado com a capacidade muscular dos indivíduos para manipular e levantar as cargas.

    Manipulação Repetitiva, relacionada com três factores:

    • a duração do trabalho;
    • a capacidade energética do trabalhador;
    • a fadiga física.

    Qualquer que seja o tipo de manipulação, o levantamento correcto de cargas de obedecer ao seguinte:

    • utilização da musculatura das pernas e não da coluna;
    • ombros para trás e costas direitas;
    • carga mantida o mais próximo possível do corpo;
    • pés separados e peso do corpo correctamente distribuído;
    • joelhos flectidos;
    • pescoço e costas alinhadas;
    • pernas distendendo-se lentamente;
    • manutenção da carga simétrica, apoiada nas duas mãos;
    • carga a, aproximadamente, 40-50 cm acima do chão;
    • remoção de todos os obstáculos que possam atrapalhar os movimentos, antes de levantar um peso.

    Um outro aspecto importante a considerar, é o transporte de uma carga de um local para outro:

    • durante o transporte do peso, a coluna vertebral deve ser mantida na vertical;
    • devem-se manter os pesos próximos do corpo;
    • as cargas assimétricas devem ser evitadas, pois exigem um esforço adicional da musculatura dorsal para manter o equilíbrio (usar cargas simétricas);
    • quando a carga apresenta uma forma longa, esta deve ser transportada na vertical.

    Quando a carga a transportar é volumosa ou pesada, deverão ser solicitados os dois membros superiores, dando-se atenção aos seguintes aspectos:

    • a carga deve ser mantida à altura da cintura;
    • os braços devem ser conservados estendidos: o transporte da carga com os braços flectidos, aumenta a carga estática dos músculos;
    • sempre que possível, deve ser mantida uma simetria de cargas, com os dois braços carregando, aproximadamente, o mesmo peso. No caso de cargas grandes, compridas e desajeitadas, devem ser usados dois carregadores para facilitar essa simetria;
    • o corpo deve estar ligeiramente inclinado para trás, de modo a que o centro de gravidade da carga se aproxime da linha vertical do corpo;
    • de acordo com a altura da superfície onde irão ser colocados os objectos transportados, assim se flectem mais ou menos os joelhos e nunca a coluna.

     

    No caso de se tratar de transportar uma carga tipo fardo, então deve-se:

    • colocar o mais perto possível do lado anterior ou posterior do tronco, e se possível utilizar alças ou correias, que distribuam o peso entre os ombros e a pélvis;
    • sem dispositivos de ajuda, recomenda-se que segure a carga com os braços na linha média;
    • o levantamento deste tipo de carga deve ser feito com a flexão dos joelhos, elevando-a até um dos ombros e segurando-a com ambas as mãos.

    Existem outras formas de transporte, como o puxar e o empurrar. As consequências ao nível da coluna vertebral, serão diferenciadas para cada uma destas situações:

    • é sempre melhor empurrar ou puxar qualquer objecto, quando este desliza sobre o chão, ajudado por rodas;quando se utilizam carros de transporte pequenos, a sobrecarga para a coluna lombar é menor a empurrar do que a puxar;
    • em geral, quando se puxa, adopta-se uma postura assimétrica e em rotação, o se traduz em perigo para a coluna;
    • para mover um objecto grande e pesado, é melhor empurrá-lo com os pés separados, um adiantado em relação ao outro, mantendo-se firme contra o chão, devendo contrair activamente os abdominais, aproveitando o próprio peso do corpo para a frente, como força adicional;

     

    • o puxar, especialmente às sacudidelas, é muito perigoso pela grande sobrecarga lombar que origina.

    Problemas por Movimentos Repetitivos

    Actualmente, existem formas de organização do trabalho, particularmente, na indústria, que determinam a execução de tarefas repetitivas e de elevadas exigências de precisão.

    Este tipo de tarefas impõe, por um lado, a realização de gestos, que, analisados isoladamente, não representam um esforço importante, mas a sua repetitividade ao longo do período de trabalho, confere-lhe uma carga elevada.

    A repetitividade é, aliás, uma característica do trabalho em cadeia.

    O trabalho em cadeia, constitui uma forma de organização do trabalho, na qual a produção é repartida por um conjunto de postos, cada um ocupado por um operador. As correspondentes tarefas são distribuídas em função da sua duração, que é determinada a partir da decomposição do conjunto de gestos inerentes às diferentes operações.

    As consequências deste tipo de tarefas, estão bem patentes na frequência de perturbações músculo-esqueléticas, ao nível do canal cárpico.

    Estas perturbações resultam, geralmente, de um desequilíbrio entre as solicitações biomecânicas e as capacidades individuais, existindo um nível próprio de cada indivíduo.

    Existem, no entanto, diversos factores que podem influenciar o risco de desenvolver estas patologias, numa relação directa com a duração da exposição e o número de factores acumulados. Estes factores podem intervir directa ou indirectamente no desenvolvimento das perturbações músculo-esqueléticas.

    São factores directos:

    • a actividade gestual no trabalho, particularmente, se existirem solicitações de força excessiva, se as diferentes operações implicarem posições articulares extremas e se houver repetitividade;
    • o estado de saúde;
    • a idade;
    • o sexo;
    • os factores relativos ao património genético.

    Os factores indirectos no desenvolvimento das perturbações músculo-esqueléticas, são:

    • a percepção subjectiva do operador, relativamente à Ergonomia, ao envolvimento do posto e à organização do trabalho;
    • o stress;
    • a insatisfação profissional;
    • a percepção negativa do trabalho.

    A identificação destes factores de risco e, em particular, das suas causas, é essencial à sua eliminação, sem a qual não poderá ser equacionada qualquer solução para transformação do trabalho.

     in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html


    Ergonomia e Novas Tecnologias

    A introdução das Novas Tecnologias Informatizadas (NTI) nas unidades produtivas, permite:

    • reduzir o tempo de trabalho, com a incorporação das novas tecnologias informatizadas, em cada unidade de produção;
    • racionalizar e optimizar os processos de trabalho;
    • reduzir os custos de produção;
    • integrar as distintas áreas funcionais da empresa;
    • flexibilizar a produção, de modo a permitir uma adequação rápida e constante às exigências do mercado;
    • incrementar a produtividade no trabalho;
    • controlar os processos de trabalho.

    Estes são exemplos habituais do que as Novas Tecnologias Informatizadas proporcionam no mundo do trabalho actual. Por tudo isto, as diversas modalidades de automatização disponíveis na micro-informática, constituem hoje, uma ferramenta insubstituível na modernização do mundo laboral.

    Há que levar em consideração que a implementação das NTI no mundo do trabalho vai implicar inquestionavelmente outras inovações de carácter organizacional, tanto ao nível do próprio posto de trabalho, como ao nível da organização de todo o processo produtivo e da gestão de recursos humanos.

    Evolução das Novas Tecnologias

    As NTI podem ser agrupadas de diversas formas, de acordo com o sector em que se inserem no sistema produtivo:

    • a Robótica, que designa o conjunto de técnicas que permitem a concepção de dispositivos destinados a substituir o homem em funções motoras, sensoriais e intelectuais;
    • a Burótica ou Automatização de Escritórios, que se define como a aplicação da informática no trabalho de escritório com o objectivo de tratar as mensagens formais e os textos de uma forma automatizada;
    • os Sistemas Informatizados, que integram tarefas administrativas e directamente produtivas, como por exemplo os sistemas CAD (computer aided design – desenho assistido por computador) / CAM (computer aided manufacturing – fabricação assistida por computador).

    O "símbolo" das NTI é, sem dúvida, o computador. Este é uma máquina electrónica programada para processar informação digital.

    Pode-se dizer, que o computador prolonga o cérebro humano, no que se refere ao raciocínio lógico, e que o completa, pela sua grande velocidade de tratamento da informação, traduzindo-se pela possibilidade de poder realizar milhões de operações por segundo, e pela extraordinária capacidade da sua potente memória, poder armazenar e restituir informação de uma forma rápida e eficaz.

    Vive-se numa sociedade informatizada e em constante evolução tecnológica, com reflexos nos hábitos das pessoas, na sua forma de viver, de trabalhar e de relacionamento com os outros.

    É a era da Informática que exige um contínuo esforço de adaptação à nova realidade. Há que aproveitar as vantagens da informática nas mais variadas esferas da actividade económica e social (no lar, na empresa, na escola, na administração pública, etc.), e utilizá-la no progresso da sociedade e na satisfação das necessidades da população.

    A informática é, então, a ciência do tratamento racional, nomeadamente, através de máquinas automáticas e da informação considerada como suporte de conhecimento e de comunicação, nos domínios técnico, económico e social.

    Resumidamente, define-se informática como sendo um conjunto de técnicas e métodos mediante os quais se trata a informação, com a ajuda dos meios automáticos.

    Interacções do Homem com as Novas Tecnologias

    Não só em situações de lazer, mas principalmente em situação de trabalho, o homem interage com as novas tecnologias.

    São muitas as situações, nas quais o computador, é um meio privilegiado para desenvolver um determinado tipo de trabalho, mas também são inúmeros os riscos, a que o trabalhador está sujeito, por utilizar um computador durante longos períodos de tempo.

    Por este motivo, faz todo o sentido que a Ergonomia tenha criado um campo de intervenção, na área das NTI e que se tenha servido delas para intervir em outras áreas.

    Assim, distinguem-se três fases de evolução até à mais recente aplicação da Ergonomia ao software:

    Fase 1)

    na sua origem, esta disciplina preocupava-se com:

    • a postura do utilizador e o melhoria do equipamento (écrans, teclados, rato, etc.);
    • a antropometria dos postos de trabalho informatizado (implantação, dimensões do posto, cadeiras, etc.);
    • o envolvimento (iluminação, disposição, cor, etc.);
    • a organização do trabalho (tarefas, circuitos de informação, horários, formação de pessoal).

    Estes domínios são os mais conhecidos do grande público e os resultados são ainda correntemente integrados na concepção de equipamento profissional (equipamento e material de escritório, computador, etc.).

    Fase 2)

    de seguida, a Ergonomia interessou-se:

    • pela disposição espacial de toda a informação no écran;
    • pelas cores;
    • pela sua fixação;
    • pela análise de melhores condições de iluminação e de contraste, etc.

    Esta segunda fase não é, no fundo, mais do que a aplicação particular da investigação aos écrans dos computadores, para um melhor conforto fisiológico.

    A passagem do equipamento para o software, isto é da 1ª para a 2ª fase, carrega, nada mais, do que a semente do fundamento da Ergonomia moderna. Pois esta mudança coloca o problema da qualidade da interacção Homem-Computador, um termo cuja origem remonta somente a duas décadas atrás.

    A imagem da Ergonomia, para os informáticos, está ainda ligada a essa época, mas o problema da apresentação da informação no écran não é mais a questão essencial.

    Fase 3)

    a terceira fase da Ergonomia resulta da experiência adquirida através dos estudos da interacção Homem-Computador, que fizeram surgir dois pontos fundamentais:

    • a aparência dos écrans modifica pouco a natureza dos problemas, pois as principais dificuldades do utilizador têm origem na estrutura interna do software;
    • a efectiva melhoria das qualidades ergonómicas do software, requer uma tomada de consciência, desde as primeiras fases de concepção do equipamento, do funcionamento intelectual das pessoas e dos hábitos de trabalho.

    Assim, a melhoria da interacção do "diálogo" entre o Homem e a máquina (o computador) impõe um melhor conhecimento dos processos cognitivos do trabalhador e dos seus modos operatórios aquando na realização do trabalho, ou seja, a sua actividade propriamente dita.

    Entretanto a Ergonomia conserva uma abordagem global e pluridisciplinar, que se debruça no estudo dos mais variados aspectos, relativos à introdução da informática no mundo laboral, tais como:

    • elaboração da organização dos processos de trabalho;
    • adaptação das funcionalidades da ferramenta às necessidades reais do utilizador;
    • adaptação do diálogo Homem-Computador às características individuais dos utilizadores;
    • concepção, especificação e realização do software;
    • redacção de documentos e de manuais destinados ao utilizador ou às equipas de manutenção;
    • organização dos diferentes postos de trabalho adaptado às tarefas específicas de cada utilizador.

     

    Uma intervenção ergonómica, seja ela ou não, numa situação de trabalho informatizado, permite evidenciar e considerar as dificuldades ou exigências dos utilizadores.

    As proposições são formuladas e as soluções aplicadas. Os resultados práticos de tal procedimento são a melhoria das condições de trabalho e, simultaneamente, o ganho de qualidade e eficácia, reduzindo os custos do funcionamento.

    A Ergonomia é uma resposta adaptada aos problemas específicos do terreno e não, a aplicação estandardizada de receitas pré-estabelecidas.

    Consequentemente, dizer que determinado utensílio ou processo é ergonómico, não é suficiente. Para avaliar tal qualidade, é necessário avaliar esse utensílio / processo, em função de quem o vai utilizar e com que objectivo.

    É de salientar que adaptar o trabalho ao homem, representa uma outra forma de conceber / corrigir uma determinada situação de trabalho.

    Ao servir-se do conhecimento sobre o funcionamento humano e dos métodos que melhor permitem aprender a realidade das situações de trabalho, a Ergonomia pode contribuir para a evolução dos métodos de análise de todo o processo de informatização.

    As principais componentes a serem analisadas num sistema caracterizado por um processo de informatização ou pelo estudo de determinada situação individual de trabalho informatizado, deve incluir sempre os subsistemas:

     

    O estudo da interacção entre as várias componentes ou subsistemas de uma situação de trabalho, mostra uma abordagem global dos problemas. Assim, cada situação de trabalho representa uma união às múltiplas dimensões de uma empresa.

    Os domínios de aplicação da Ergonomia dividem-se em áreas, nos diferentes contextos do trabalho informatizado.

    Podem-se, então, classificar em quatro, as grandes áreas de aplicação da Ergonomia informática ou Ergonomia do trabalho informatizado, de acordo com o âmbito de estudo específico de cada uma. São elas:

    • a Ergonomia dos materiais e dos postos de trabalho;
    • a Ergonomia da programação;
    • a Ergonomia dos processos de informatização;
    • a Ergonomia do software.

     

    Passemos, de seguida, a caracterizar cada uma destas áreas.

    • ERGONOMIA DOS MATERIAIS E DOS POSTOS DE TRABALHO

    Está centrada, essencialmente, nos equipamentos que constituem o posto de trabalho informatizado e áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente, ao nível:

    • dos periféricos (monitor, teclado, écran, rato, impressora, etc.);
    • de todo o meio de trabalho (iluminação, ruído, temperatura, etc.);
    • do layout (disposição física de todo o equipamento de trabalho).

    Foi, e ainda é, a este nível que se situam os estudos mais vastos e em maior número, assim como, a maioria dos pedidos de intervenção ergonómica, dado que é também a este nível que surgem as queixas mais facilmente perceptíveis.

     

    • ERGONOMIA DA PROGRAMAÇÃO

    Esta área da Ergonomia centra-se ao nível da construção de novos programas e da manutenção informática, no que diz respeito às linguagens de programação e à sua inteligibilidade, ou seja, propõe a facilitação da escrita e da leitura de programas, conduzindo a uma utilização posterior, igualmente facilitada.

     

    • ERGONOMIA DOS PROCESSOS DE INFORMATIZAÇÃO

    Está centrada no processo de informatização de serviços, cujo objectivo principal consiste, não apenas em informatizar mas, em distinguir o que deve efectivamente ser informatizado, visando uma melhor eficácia das futuras instalações. Tenta salvaguardar, na medida do possível, todos os aspectos positivos dos hábitos dos trabalhadores que estes desejem conservar.

    • ERGONOMIA DO SOFTWARE

    Está centrada nos utilizadores dos sistemas informáticos e na adequação do software às necessidades das tarefas e simultaneamente, às capacidades do utilizador. Os problemas são inúmeros e crescentes, dada a especificidade das tarefas. Estescolocam-se, essencialmente, a dois níveis:

    • visualização do écran, no que se refere à formatação da imagem, à codificação, à estruturação dos campos, à escolha do vocabulário e às abreviações mais significativas;
    • linguagens de comando, relativamente à estrutura dos diálogos e à sintaxe da linguagem.

     

    A linguagem de software tem por objectivo, facilitar os processos cognitivos de percepção e tratamento de informação por meio de um diálogo mais intuitivo, entre o Homem e o computador.

    O diálogo entre o Homem e o computador, tem o objectivo de mascarar o funcionamento técnico do software para libertar o trabalhador dos problemas ligados à manipulação do utensílio.

    O seu papel é de facilitar a comunicação entre os dois sistemas que assentam em modelos diferentes:

    • O Homem é vivo, criativo, "adaptável", raciocina por analogia em associação de ideias e constrói os seus modelos mentais, no decurso da sua actividade.
    • O computador é algorítmico, sequencial e a sua programação é fixa.

    Estes dois mundos são estranhos um ao outro e o interface deve servir de interprete para facilitar as trocas de informação entre dois sistemas.

    Do ponto de vista ergonómico, a vocação principal do diálogo é, portanto, a adaptação a todos os casos, para tornar simples o manuseamento do utensílio informático.

    Muitos conceptores de sistemas de software, acabam por perceber que o sistema que estão a criar é algo mais do que apenas o software, e que o âmbito e o objectivo do sistema é mais vasto do que a funcionalidade proporcionada pelo software.

    Esta é, apenas, uma componente de um amplo sistema e fornece uma parte da funcionalidade pretendida. Este amplo sistema inclui, pelo menos, outros utilizadores e outros sistemas de software.

    in http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html